Especialistas não concordam com Copa do Mundo com 48 seleções

O ex-jogador da Seleção Brasileira Nelinho lembra que a maior quantidade de participantes tira a importância do evento esportivo

por Vinícius Andrade 13/01/2017 15:30

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Agência Minas/Divulgação
A partir de 2026, a Copa do Mundo passará a contar com 48 seleções, o que não está agradando os especialistas em futebol (foto: Agência Minas/Divulgação)
A Copa do Mundo representa a "nata" do futebol, reunindo as melhores seleções de cada continente. Porém, em 2024, a competição vai incluir seleções sem nenhuma tradição no esporte, sob a premissa de democratizar o futebol em todo o mundo. O novo formato, com 48 participantes, foi aprovado por unanimidade pelo Conselho da Fifa no início deste ano.

Pela proposta, as 48 seleções serão divididas em 16 grupos com três times cada. As duas melhores equipes de cada chave se classificariam para as fases de "mata-mata", que incluiriam uma nova etapa, antes das oitavas-de-final (numa espécie de "dezesseisavas-de-final"). Por enquanto, a Fifa ainda não definiu como as 16 novas vagas serão divididas entre as confederações.

Com esse modelo mais inflamado, a Federação Internacional das Associações de Futebol quer estimular a candidatura de dois países para sediar a Copa do Mundo, assim como aconteceu em 2002, com Japão e Coreia do Sul – única edição em que a organização do evento esportivo foi dividida. O presidente da Concacaf (confederação que reúne os países das américas do Norte, Central e Caribe), Víctor Montagliani, já sinalizou que pretende lançar a candidatura conjunta de México, Canadá e Estados Unidos para 2026.

Proposta não agradou

Para o comentarista esportivo Junior Brasil, da rádio Itatiaia, o novo formato atende apenas aos interesses econômicos e prejudica o espetáculo do futebol. "É a banalização da Copa do Mundo. Uma competição que é feita para os melhores, agora, terá seleções sem nível técnico. Fica nítido que as questões política e econômica falaram mais alto", critica o jornalista.

O órgão máximo do futebol internacional espera arrecadar US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões) com o novo formato. A Copa da Rússia, em 2018, por exemplo, deve render US$ 5,5 bilhões, aproximadamente R$ 17 bilhões.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse, em coletiva de imprensa realizada em dezembro de 2016, em Doha, no Qatar, que a Copa com 48 seleções é o modelo "mais inclusivo". Esse discurso foi contestado pelo comentarista Junior Brasil.

"Esse papo de democratização da Copa não cola. Você abre espaço para uma seleção sem qualidade, sem expressão, que vai fazer dois jogos e sair da competição. É lamentável", completa o jornalista da Itatiaia.

Quem também não aprovou a reformulação do torneio é o ex-lateral da Seleção Brasileira, Nelinho, que jogou duas Copas do Mundo (1978 e 1982). "Alguns defendem a ideia de que a Copa  com 48 seleções trará uma integração maior, mas eu acho que não há nada disso. É algo feito puramente pelo lado financeiro", enfatiza o ex-craque, ídolo de Atlético e Cruzeiro.

Nelinho lembra que em sua época de jogador, era difícil estar entre os melhores do mundo. "Quem participava de uma Copa do Mundo era considerada uma grande seleção. Agora, com 48 equipes, qualquer um pode estar na Copa, não tem vantagem nenhuma", critica o ex-lateral.

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