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Estado de Minas BRASIL

Prefeito de Ariquemes não poderá arrancar páginas sobre diversidade familiar dos livros didáticos

Ministério Público de Rondônia foi acionado para impedir o ato discriminatório do prefeito Thiago Flores


postado em 27/01/2017 16:13

O Ministério Público de Rondônia quer que prefeito de Ariquemes Thiago Flores assine um Termo de Ajustamento de Conduta se comprometendo a não retirar dos livros didáticos as páginas que tratem de diversidade familiar e ideologia de gênero. Isso porque, no final de janeiro, o político anunciou que as folhas que contenham conteúdo que possa ser interpretado como "ideologia de gênero" seriam retiradas do material dos alunos do ensino fundamental da cidade. Os livros são fornecidos pelo Ministério da Educação (MEC).

Essa atitude discriminatória do prefeito foi duramente criticada pelo deputado federal Jean Wyllys (Psol/RJ). "Estamos voltando para a época da inquisição? Toda e qualquer página de um livro que tenha o poder de dar liberdade e de formar cidadãos críticos e com pensamento serão arrancados? Quanto tempo até que recomecem a acender as fogueiras?", reclama o parlamentar em sua conta oficial no Facebook. "Essa decisão é o triunfo da estupidez e da ignorância. Uma decisão cuja simbologia remete ao pior: se a maioria optasse pelo extermínio real de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais das escolas, em vez de seu extermínio simbólico das páginas dos livros, será que o prefeito populista e ignorante mandaria matá-los? Essa atitude veio com a desculpa de se combater a 'ideologia' de gênero, uma expressão cunhada pela direita da Igreja católica para dizer que defendemos a ideia de que as pessoas podem mudar de gênero como mudam de roupa", completa Jean Wyllys.

Segundo o prefeito de Ariquemes, a medida foi a alternativa encontrada para garantir a distribuição do material. Pelo mesmo motivo, ano passado, o prefeito a época, Lorival Amorim, mandou retirar os livros das escolas e os estudantes ficaram sem material didático.

O Ministério Público de Rondônia afirma que atitudes como estas disseminam o ódio contra os homossexuais e ferem o fundamento constitucional da promoção da igualdade e da sociedade livre de qualquer preconceito. Quem também se posicionou foi o Ministério da Educação. Em nota, o MEC disse que a supressão de páginas de livros é ilegal. Afirmou ainda que a temática de gênero nos livros didáticos dos anos iniciais do ensino fundamental atende a legislação brasileira e a fundamentos como a dignidade humana.

(com Radioagência Nacional)

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