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Estado de Minas BRASIL

Mãe usa liminar para obrigar o filho de 22 anos a continuar fazendo hemodiálise

O jovem diz estar cansado das consequências desse tratamento para insuficiência renal


postado em 23/02/2017 14:35

O jovem José Humberto Pires de Campos Filho, de 22 anos, sofre com problemas renais e quer abrir mão do único tratamento médico que pode melhorar seu quadro de saúde. Depois de cinco meses fazendo hemodiálises diárias – procedimento em que uma máquina limpa e filtra o sangue do paciente –, o morador de Trindade, na região metropolitana de Goiânia, quer parar o ciclo porque não suporta mais as dores e o mal-estar após as sessões terapêuticas.

A mãe do garoto, no entanto, não aceitou a decisão do filho. A microempresária Edina Maria Alves Borges recorreu ao poder judiciário na tentativa de fazer com que a justiça obrigue José a permanecer no tratamento, mesmo contra a vontade dele. Ela conseguiu uma liminar que obriga o rapaz a frequentar as sessões, mesmo que de forma provisória. A decisão do juiz Éder Jorge, da comarca de Trindade, determina que não haja coerção física e que o menino passe por terapia com psicólogos e assistentes sociais.

"Fico feliz porque minha mãe não quer que eu tome minha decisão, mas, na verdade, essa minha escolha vai continuar. Eu tenho noção [que posso morrer sem o tratamento]. A minha decisão não muda mesmo com a audiência [judicial]", diz o garoto em entrevista ao portal de notícias G1.

Já a mãe do jovem segue confiante que ele seguirá com o tratamento. "Foi uma decisão [de entrar na justiça] não só como mãe, mas com a vontade de ver o ser humano bem. Eu acredito que ele possa viver bem. Acredito tanto que ele vai olhar para trás um dia e dizer: 'obrigado, mãe, por ter me trazido até aqui'. Isso vai acontecer", afirma Edina ao G1.

Código de Ética da Medicina

A decisão da justiça não foi bem vista por Edson Garcia Soares, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Em entrevista à Rádio USP, ele afirma que obrigar o paciente, em perfeitas condições mentais, a fazer um tratamento, fere a ética médica.

"Ele não é criança. Tem toda capacidade de discernimento. Se eu não quiser fazer um tratamento contra o câncer, tenho todo o direito de não fazer. Essa ação jurídica, do ponto de vista ético, pode ser contestada", esclarece o médico.

Ainda segundo o professor, não existe garantia de que a hemodiálise vai salvar a vida do garoto, além de ser um tratamento extremamente agressivo.

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