Retomada de voos no aeroporto da Pampulha ainda divide opiniões

Uma audiência pública sobre o tema foi realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte

por Encontro Digital 31/03/2017 08:15

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Leo Araújo/Encontro
A retomada de voos no aeroporto da Pampulha ainda está gerando discussão entre aqueles que são favoráveis e contrários à proposta, que é apoiada pela Prefeitura de Belo Horizonte (foto: Leo Araújo/Encontro)
O plenário Helvécio Arantes da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) ficou lotado na quinta-feira, dia 30 de março, quando autoridades municipais, empreendedores e membros da sociedade civil discutiram a possibilidade da retomada de voos comerciais ao aeroporto Carlos Drummond de Andrade, na Pampulha. Representada pelo vice-prefeito Paulo Lamac, a prefeitura da capital se mostrou favorável ao retorno das operações, argumentando que a mudança pode contribuir para dinamizar a economia local e tornar a cidade mais atrativa para a realização de negócios. Moradores do entorno, no entanto, se queixaram do aumento da poluição sonora, enquanto a BH Airport, concessionária que administra Confins, alegou que as alterações podem diminuir o movimento no aeroporto internacional e provocar alta nos custos de passagens, afetando o consumidor. A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário da CMBH vai acompanhar o andamento das negociações e fiscalizar impactos da eventual mudança.

Entre as queixas mais recorrentes contra o aeroporto de Confins estão as relacionadas à distância em relação ao centro da capital e às dificuldades de acesso causadas pelo trânsito ruim, sobretudo nos horários de pico. Moradores de BH chegaram a criar um movimento só para defender a mudança, batizado de Aeroporto da Pampulha: Liberação para a Ponte Aérea Já. Na audiência, o representante do grupo destacou que falta conforto ao passageiro, que, muita vezes, corre o risco de perder voos quando enfrenta engarrafamentos a caminho de Confins.

Na mesma perspectiva, o representante da Associação Comercial de Minas (ACMinas), afirmou que as características do aeroporto de Confins, distante quase 50 minutos do centro de Belo Horizonte, torna a cidade pouco atraente para executivos e empreendedores. Em muitos casos, destacou, os custos de táxi até a capital inviabilizam a realização de eventos, inflacionando os preços e diminuindo a atratividade para os negócios.

O secretário municipal de Desenvolvimento, o ex-vereador Daniel Nepomuceno, acredita que a reativação dos voos na Pampulha pode trazer mais dividendos para cidade. "Em um contexto de crise como o que vivemos, marcado por desemprego crescente e queda na arrecadação, a prefeitura tem o compromisso de gerar mais postos de trabalho e melhorar a vida das pessoas", afirma o secretário. O entendimento é que facilitar o acesso à cidade contribuirá para dinamizar a economia, estimulando a geração de emprego e renda em diversos setores, como o turismo, o hoteleiro e o de bares e restaurantes, por exemplo.

Poluição sonora

Moradores da Pampulha divergiram, durante a audiência, sobre a reativação dos voos do terminal. Os que se manifestaram contrariamente à atividade destacaram os riscos de aumento da poluição sonora, de acidentes aéreos e de agravamento dos problemas de trânsito no local, em função da ampliação do fluxo regular de pessoas.

Na contramão do argumento, outros moradores avaliaram que a retomada dos pousos e decolagens pode dinamizar o comércio e o mercado de serviços na região, favorecendo empreendedores locais.

Confins

Representantes da concessionária do aeroporto internacional de Confins, a BH Airport, alertaram para o risco de que a retomada dos voos na Pampulha contribua para elitizar o acesso ao transporte por avião. Segundo ele, a iniciativa pode dificultar ao invés de facilitar as viagens, já que a Pampulha não poderá garantir a mesma quantidade de conexões possíveis em Confins, que liga a região metropolitana a quase 50 destinos. Com isso, segundo eles, o usuário que vier do interior e desembarcar na Pampulha, mas estiver em direção a alguma capital ou destino estrangeiro, precisará se deslocar até Confins para seguir a viagem.

Outro problema alegado pela BH Airport é o risco de aumento no preço das passagens. Com a redução do número de voos em Confins, em função da possível transferência para o terminal da capital, as companhias aéreas poderão aumentar o valor cobrado pelas passagens, em decorrência da diminuição da oferta.

Três voos por hora

De acordo com representantes da Infraero, empresa pública que cuida da estrutura aeroportuária em todo o país, o projeto para reativação dos voos no Pampulha já existe. Sua implantação, no entanto, depende da autorização da Agencia Nacional de Aviação Civil (Anac). Ainda segundo a Infraero, as atuais limitações de funcionamento fazem com que o aeroporto opere no vermelho: só em 2016, foi registrado um prejuízo de R$ 29 milhões e, no acumulado dos últimos cinco anos, a cifra chega a R$ 100 milhões. A proposta é que a retomada dos pousos e decolagens contribua para reverter esse quadro.

Ainda de acordo com a Infraero, esperar-se que, pelo menos no início das operações, a Pampulha receba no máximo 155 voos por semana, respeitando-se o limite de seis movimentos de pouso ou decolagem por hora.

Em contraposição às criticas relativas à inadequação das condições estruturais do aeroporto da Pampulha, a Infraero esclareceu que a ampliação do número de passageiros só será realizada após adaptações pertinentes no equipamento. Apesar da existência de planejamento prévio, não há data definida para a eventual retomada das atividades do terminal.

(com Superintendência de Comunicação Institucional da CMBH)

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