Saiba o que significa a palavra 'perfeitaismo', pichada na Igrejinha da Pampulha

Ela seria uma 'forma de governo' ideal, em que todos são ricos e tudo funciona, sem necessidade de políticos

por Vinícius Andrade 16/03/2017 17:37

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Vinícius Andrade/Encontro
A palavra "perfeitaismo", que foi pichada na Igrejinha da pampulha, em mais um ato de vandalismo contra o patrimônio criado por Oscar Niemeyer, seria uma "filosofia" de vida (foto: Vinícius Andrade/Encontro)
A igreja de São Francisco de Assis, um dos principais cartões postais de Belo Horizonte, voltou a ser pichada na noite de quarta-feira, dia 15 de março. Quase um ano depois do primeiro ato, os vândalos agiram, desta vez, na lateral da obra projetada por Oscar Niemeyer, que faz parte do Complexo Arquitetônico da Pampulha.

O que chamou a atenção foi a mensagem deixada pelo pichador: "perfeitaismo". Até então, esse é um termo bastante desconhecido. Não é uma palavra que você vai localizar no dicionário, mas, em uma pesquisa na internet é possível encontrar um livro com este título, que trata sobre um "sistema político-financeiro" governado pela "razão". Mas, afinal, que teoria é essa que se tornou destaque por meio de um vandalismo?

O autor do livro é o belo-horizontino Wesley Abreu, que se autodenomina um dos maiores filósofos do mundo, determinado a derrubar bases que sustentam a sociedade atual. O termo se refere a um sistema considerado perfeito, com a intenção de atingir o maior número de pessoas.

Ele propõe que todos os seres humanos tenham poderes para construírem riquezas. "Viver em um paraíso significa viver de forma luxuosa e em paz, sendo este sistema capaz de gerar a sociedade mais rica e justa de todos os mundos que se possa imaginar", diz trecho do livro. Segundo este modelo, não haveria limites orçamentários de créditos para nenhum investimento.

Ainda de acordo com a obra, o "perfeitaismo" pode promover hospitais completos contendo todos os equipamentos necessários de última geração, meio ambiente limpo, com lagos, rios e oceanos saudáveis, pois não haveria limite para os recursos financeiros.

Para explicar essa facilidade na aquisição dos recursos, o livro cita o sistema bancário atual, em que contratos de empréstimos são firmados com a condição de pagamento acrescido de juros. Já no "perfeitaismo", todos os membros da sociedade teriam acesso aos créditos financeiros sem juros e sem a necessidade de devolução.

O modelo também prega a ausência de representatividade por meio de políticos. "O perfeitaismo possui um sistema político no qual ninguém poderá representar o outro, pois somos indivíduos, o que nos torna únicos, sendo assim, nenhum outro ser humano é capaz de nos representar", diz Wesley Abreu, na publicação.

Crime

Apesar das "boas intenções" dessa "filosofia", o autor do ato acabou cometendo um crime ambiental, passível de detenção e multa. O artigo 65 da Lei 9.605/98 prevê três meses a um ano de prisão e multa. Porém, se o ato for realizado em monumento tombado em virtude do seu valor artístico (como é o caso da Igrejinha da Pampulha), a pena é de seis meses a um ano de detenção e multa.

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