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Estado de Minas BEM-ESTAR

Beber café moderadamente pode ajudar a proteger o coração

A bebida típica dos brasileiros possui polifenóis, que ajudam a manter a saúde do sistema cardiovascular


postado em 11/04/2017 09:04

Estudo feito na Faculdade de Saúde Pública da USP e publicado em janeiro na revista científica Nutrients Open Access Human Nutrition Journal, da Suíça, mostra que o consumo de uma xícara de café por dia pode ser suficiente para trazer benefícios ao coração. O efeito protetor contra fatores de riscos para doenças cardiovasculares vem dos compostos fenólicos encontrados em quantidade razoável na bebida mais tradicional do desjejum dos brasileiros. A pesquisa foi realizada com 550 pessoas que vivem em São Paulo.

As doenças cardiovasculares são consideradas a principal causa de morte entre a população mundial. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que se não forem feitas políticas públicas de saúde e de prevenção, a estatística de mortalidade que hoje é de 17,3 milhões de pessoas passará para mais de 23,6 milhões em 2030.

As causas dos problemas no coração são variadas e incluem hereditariedade e idade, e as relacionadas ao comportamento do indivíduo, que podem ser alteradas, como o tabagismo, o sedentarismo e o consumo de alimentos com alto teor de sal, gordura e açúcares que estão associados ao aumento da obesidade. Já a ingestão de café, frutas e verduras, ricos em polifenóis, entram na contramão dos vilões do coração.

Metodologia da pesquisa

Com dados obtidos do Inquérito de Saúde do Município de São Paulo 2008/2009, estudo ligado à prefeitura da capital paulista, o consumo diário de café e a ingestão de seus polifenóis foram avaliados em homens e mulheres com idade acima de 20 anos. A pesquisa foi feita por Andreia Miranda, doutoranda da USP.

Além da dieta, o questionário aplicado aos entrevistados considerou informações sociodemográficas e de estilo de vida (idade, sexo, raça, renda familiar per capita, atividade física e tabagismo). Houve também coleta de sangue para referências bioquímicas (glicose, triglicérides, colesterol total, HDL e LDL, e a homocisteína, um aminoácido presente no sangue que está relacionado a riscos de eventos cardiovasculares), além de medição antropométrica (peso e altura) e aferição da pressão arterial.

O consumo de café foi dividido em três grupos: quem bebia menos de uma xícara de café por dia; os que tomavam de uma a três; e os que ingeriam três ou mais xícaras diariamente. Os indivíduos que consumiram de uma a três xícaras de café por dia reduziram em 55% a chance de ter pressão alta sistólica e em 56% pressão alta diastólica quando comparados aos indivíduos que consumiram menos de uma xícara. O mesmo se verificou com a homocisteína: houve uma redução em 68% de chance de ter níveis aumentados de homocisteína no sangue. O mesmo resultado não foi observado naqueles indivíduos que consumiram mais de três xícaras de café por dia.

Dessa forma, ficou demonstrado que o efeito protetor do café para o coração ocorreu apenas para aqueles que tiveram um consumo moderado, segundo a pesquisadora Andreia Miranda. E, independentemente da forma como é consumido (com leite, chá, ser expresso ou coado), as concentrações de polifenóis na bebida são mantidas.

Esses compostos químicos estão presentes em vários alimentos de origem vegetal, como verduras, legumes, frutas, cereais e leguminosas, em bebidas alcoólicas (vinho e cerveja) e também nas não alcoólicas (chás, café, cacau, suco de frutas e de soja). Os polifenóis têm demonstrado ação protetora na prevenção de várias doenças crônicas como as cardiovasculares, alguns tipos de cânceres, osteoporose, doenças neurodegenerativas e diabetes mellitus.

(com Jornal da USP)

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