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Estado de Minas COMPORTAMENTO

O que está levando os jovens a tirar a própria vida?

Especialista comenta a solidão oculta dos adolescentes e o famigerado 'jogo' Baleia Azul


postado em 03/05/2017 09:46

De acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos uma pessoa se suicida no mundo a cada 40 segundos. Até então um tabu, o tema vem ganhando espaço na mídia e gerou um alerta para os pais, autoridades de saúde e órgãos públicos.

O Brasil está inserido nesse contexto. Dados obtidos pela rede de TV britânica BBC Brasil mostram que, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 em cada 100 habitantes, em 2002, para 5,6, em 2014. Trata-se de um aumento de quase 10%. Os números são do Mapa da Violência 2017, estudo publicado anualmente a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.

Em relação a esse assunto delicado, certamente você já deve ter ouvido falar do "jogo" Baleia Azul, que diz respeito a "desafios" divulgados por jovens na internet, que incluem mutilações e atos violentos, incluindo o suicídio, que deixou de ser um tabu para virar manchete nos jornais. Um dos "desafios virtuais", cujo último "passo" seria tirar a própria vida, ganhou repercussão no Brasil depois que uma adolescente de 16 anos foi achada morta dentro de uma represa no pequeno município de Vila Rica, no Mato Grosso.

Assim como a "propagação de um vírus", outros supostos casos foram surgindo no país. Em Minas Gerais, por exemplo, três inquéritos foram instaurados para confirmar ou descartar se o Baleia Azul induziu adolescentes a cometer suicídio.

A grande questão é saber o que leva os jovens a cometerem atos tão graves e violentos, inclusive contra si mesmos.

Solidão

Para o médico Paulo Saldiva, professor da USP, "jogos" como o Baleia Azul são apenas peças do que ele chama de "quebra-cabeça". "Temos, hoje, uma sensação de invisibilidade urbana. A cidade não favorece encontros, passou a ser mais um obstáculo para que se saia de casa e se chegue ao trabalho", relato o especialista em entrevista à Rádio USP.

Segundo o médico, existe um abismo enorme entre o que o jovem almeja e o que ele realmente pode ter. O padrão de vida que é explicitado na mídia não condiz com a realidade, o que gera uma frustração constante nos adolescentes.

Existe ainda, de acordo com Paulo Saldiva, uma falta de perspectiva em conseguir emprego por parte dos jovens, além da perda da individualidade e da incapacidade de ser reconhecido por suas ações. "Às vezes, eles [os jovens] conseguem apoio em redes sociais, em 'tribos', torcidas organizadas, mas, a maior parte deles passa por um anonimato silencioso, coletivo e opressivo", comenta o professor da USP.

O especialista aconselha que escolas e universidades se atentem para a saúde mental dos alunos. "É muita pressão e muita expectativa, que se chocam a uma realidade dura, de uma vida que não está fácil para ninguém", completa o médico.

(com Rádio USP)

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