Excesso de casos de doença rara em Bom Despacho vem chamando a atenção

Ao menos 50 moradores da cidade mineira seriam portadores de angioedema hereditário

por Vinícius Andrade 09/06/2017 13:52

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Abranghe.blogspot.com.br/Reprodução
Apesar de ser uma doença rara, 50 moradores de Bom Despacho, interior de Minas, seriam vítimas de angioedema hereditário, que causa inchaços de forma espontânea na vítima (foto: Abranghe.blogspot.com.br/Reprodução)
Uma doença rara, que afeta uma em cada 50 mil pessoas no mundo, tem preocupado os moradores da cidade de Bom Despacho, na região central de Minas Gerais. A localidade, com aproximadamente 50 mil habitantes, já registrou 50 casos suspeitos de angioedema hereditário, sendo 16 já confirmados. A doença provocou a morte de uma jovem de 29 anos, em 2013. A vítima convivia com a patologia desde os 6 anos de idade.

O angiodema é uma doença genética rara do sistema imunológico, que provoca ataques esporádicos de edema (inchaço) em diversas partes do corpo, podendo afetar a face, as extremidades, a genitália, o trato gastrointestinal e as vias aéreas superiores. As crises de inchaço podem ocorrer de forma espontânea ou por fatores desencadeantes, como uma pancada no local, infecção, alterações hormonais ou cirurgias.

Os diversos casos fo problema genético em Bom Despacho levaram a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a realizar uma audiência pública na quinta-feira, dia 8 de junho, com representantes do poder público e especialistas da área de saúde.

Segundo a alergista-imunologista Rosana de Fátima Gonçalves, os sintomas são aparentes da doença são muito aparentes. "O edema é visível quando ocorre na parte externa do corpo. O lábio, por exemplo, chega a virar e encostar no final do queixo. É impossível mexer a mão quando ela incha. Quando aparece na área genital, é muito desagradável, porque piora com o trauma. Na parede intestinal é uma dor muito intensa", revela a especialista durante a audiência na ALMG.

Dos 50 casos suspeitos na cidade mineira, 16 foram na família de João Paulo da Silva, que é representante da Associação Brasileira dos Portadores de Angioedema Hereditário (Abranghe). Ele é irmão da jovem de 29 anos que faleceu por conta da doença. "Graças a Deus eu não sou portador da doença. Como meu pai tem, eu tinha 50% de chance de ter. A convivência com a doença é uma bomba-relógio. Você dorme bem, mas quando acorda, está todo inchado. Apesar disso, dá para viver bem", comenta João Paulo, que também participou da reunião na assembleia.

O angioedema hereditário não tem cura, mas pode ser tratado e ter os sintomas minimizados. Existem remédios que controlam as crises, porém, eles ainda não são acessíveis à população em geral. "Esse medicamento é muito recente no Brasil, tem cerca de cinco anos. Uma aplicação custa entre R$ 6 mil e R$ 8 mil. A periodicidade depende do paciente. Existem aqueles que têm crise três vezes por ano, outros, têm crise toda semana", conta Raquel de Oliveira Martins, vice-presidente da Abranghe, que convive com a doença.

Por que Bom Despacho?

Você pode estar se perguntando o motivo pelo qual o município mineiro vem sofrendo com tantos casos. Segundo a médica Rosana de Fátima Gonçalves, a explicação é genética. "O estudo sobre as famílias de Bom Despacho mostra várias mortes inexplicáveis, inclusive com edemas, que vêm desde a geração dos bisavôs dos atuais pacientes. Isso foi crescendo à medida que as pessoas foram se casando com primos distantes", explica a alergista-imunologista.

(com assessoria de imprensa da ALMG)

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