Hortaliças não convencionais ganham força em Minas

Epamig e Emater-MG ajudam a resgatar ingredientes que fazem parte da história gastronômica do estado

por Encontro Digital 10/07/2017 10:48

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Epamig/Divulgação
A vinagreira, ou hibiscus, é uma das hortaliças não convencionais que voltam a ganhar espaço nas receitas de Minas Gerais (foto: Epamig/Divulgação)
Araruta, azedinha, inhame, cansanção, vinagreira e serralha. Em princípio, estas plantas podem parecer desconhecidas, mas são, na verdade, antigas tradições culinárias de Minas Gerais. Algumas destas hortaliças, que já foram muito presentes em receitas mineiras, com o tempo, deixaram de fazer parte da alimentação da maior parte das pessoas e, agora, estão sendo resgatadas.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), desde o ano de 1900, cerca de 75% da diversidade genética das plantas foi perdida porque os produtores rurais deixaram de cultivar variedades locais, preferindo materiais de alta produtividade.

É justamente isso que a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), junto à Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater) e outros parceiros, está buscando mudar. Desde 2008, a empresa desenvolve pesquisas e estimula o plantio e consumo das chamadas hortaliças não convencionais, que, diferentemente daquelas consideradas "convencionais", como alface, batata, couve, tomate, entre outras, não são encontradas regularmente no comércio.

"As pessoas consomem, hoje, pouca variedade de alimentos. O objetivo é resgatar nossa biodiversidade, além de valorizar os hábitos alimentares regionais e sua qualidade nutritiva, trazendo mais diversidade para a mesa. Uma planta, que às vezes era até capinada e jogada fora como se fosse um mato, é aproveitada", explica Marinalva Woods Pedrosa, chefe de pesquisa da Epamig Centro-Oeste.

Além de saborosas e com alto valor nutricional, em geral, essas hortaliças são fáceis de serem cultivadas e consumidas.

Em 2008, a Epamig criou dois bancos comunitários de multiplicação e conservação de hortaliças não convencionais, um deles em Três Marias, na região central, e o outro, no Campo Experimental Santa Rita em Prudente de Morais, na região Metropolitana. "No início, o trabalho foi muito mais de resgate, no sentido de identificar as espécies, com a ajuda das comunidades", comenta Marinalva Pedrosa.

Hoje, são mais de 30 bancos multiplicadores em todo o estado, alguns comunitários e outros geridos pela Epamig. O projeto também tem um caráter educativo, já que, após a verificação das propriedades e do estudo de manejo da planta, a comunidade é ensinada a cultivar e a preparar as hortaliças. "Não adianta só eles aprenderem a plantar, mas também precisam saber como consumir, de forma saudável e saborosa. Resgatamos receitas regionais e também criamos outras com a Emater, que são ensinadas em oficinas", ressalta a pesquisadora.

Atualmente, o projeto trabalha com 34 espécies de hortaliças não convencionais, e, em breve, será lançado pela Epamig, em parceria com a Emater-MG, um informe agropecuário sobre o cultivo destas plantas.

(com Agência Minas)

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