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Estado de Minas ECONOMIA

O que acha do Brasil deixar de usar notas e moedas?

Um projeto de lei quer que o sistema monetário brasileiro seja totalmente digital


postado em 13/07/2017 08:52

Nos dias atuais você pode andar com a carteira vazia e ainda assim carregar muito dinheiro. Isso porque um simples cartão ou um aplicativo no celular podem ser suficientes para custear todas as despesas. O dinheiro em espécie está se tornando cada vez mais irrelevante, além de levar insegurança para quem anda com o bolso "recheado" de notas. Mas, você já imaginou como seria acabar de vez com o papel moeda e depender 100% das transações digitais?

Esta é a proposta do deputado federal Reginaldo Lopes (PT/MG), autor do Projeto de Lei 48, de 2015, que pretende pôr fim à produção, circulação e uso do dinheiro em espécie e regulamentar as transações financeiras apenas por meio do sistema digital. O texto ainda precisa ser analisado por comissões da Câmara dos Deputados antes de seguir para votação em plenário. Se for aprovado, entrará em vigor cinco anos a partir da publicação.

O autor do projeto argumenta que a extinção do papel moeda acabaria com os assaltos a bancos, além de frear a corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. "Não tem outra saída. Não interessa mais ao cidadão de bem utilizar o dinheiro em espécie", defende o deputado mineiro. Para ele, ajustes pontuais seriam necessários, mas com a tecnologia atual seria fácil atender as demandas da implantação do sistema.

Outro argumento defendido por Reginaldo Lopes é o alto custo para emitir novas moedas. Segundo ele, a proposta prevê uma economia para o país, além de reduzir os impactos ambientais.

Contraponto

Para o economista Flávio Constantino, professor da PUC Minas, a extinção do dinheiro em espécie facilitaria a fiscalização e o controle da moeda brasileira, além de reduzir os gastos com a emissão do papel, porém, ele não acredita que o Brasil esteja preparado para seguir esse caminho. "Nas cidades do interior ainda há pouca presença de instituições bancárias, além de boa parte da população ainda ser avessa ao uso de recursos mais avançados. É uma proposta que fica para o futuro", comenta o professor. Ele não descarta, porém, que daqui a alguns anos o dinheiro em espécie se torne como o cheque e caia em desuso.

Exemplos

Reginaldo Lopes cita como exemplo na defesa de seu projeto a Suécia, que segue a passos largos para acabar com o dinheiro em papel. Nem os próprios bancos aceitam pagamentos em espécie para altas quantias. Segundo o banco central sueco, apenas 2% de todos os pagamentos feitos no país são realizados com o dinheiro "vivo". A estimativa do governo da Suécia é que em menos de 15 anos as operações sejam 100% digitais.

O Canadá também parou de imprimir dinheiro em 1º de janeiro de 2013 por causa da queda na demanda e o crescimento do uso de cartões e aplicativos. A Coreia do Sul também segue essa tendência. Por lá, clientes que pagam com "dinheiro de plástico" têm descontos tributários. Em quatro anos, os pagamentos em dinheiro impresso caíram de 40% para 25% do total.

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