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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Pesquisa aponta que 23% das brasileiras já foram ameaçadas por algum homem em 2017

O estudo faz um alerta para os abusos diários sofridos pelas mulheres


postado em 04/09/2017 17:22

Uma pesquisa divulgada nesta segunda, dia 4 de setembro, pelo Instituto Locomotiva, aponta que 94% das pessoas avaliam que uma mulher ser "encoxada" ou ter o corpo tocado sem a sua autorização é uma forma de violência sexual. A pesquisa ouviu, entre os dias 15 e 20 de agosto, 2.030 mulheres e homens em 35 cidades brasileiras.

De acordo com o estudo, somente este ano, 13,7 milhões de mulheres afimam que já foram "encoxadas" ou tiveram o corpo tocado sem autorização, o que representa 17% do total de mulheres adultas do país. O percentual é ainda maior (20% do total) entre as mais jovens, na faixa etária de 18 a 34 anos.

Conforme o Instituto Locomotiva, 35% dos brasileiros adultos, ou o correspondente a 84 milhões de pessoas, conhecem uma mulher que foi beijada à força no último ano, o que também constitui violência sexual. A pesquisa mostra ainda que 23% das mulheres (17,8 milhões de brasileiras) foram ameaçadas por algum homem este ano.

O presidente do instituto, Renato Meirelles, lamenta que essa realidade seja presente na vida de muitas brasileiras. "Um juiz pode achar que não é violência sexual, mas 94% acham que é. E não estamos falando nem em ejacular", diz o ativista. Na terça-feira, dia 29 de agosto, Diego Ferreira de Novais foi preso após ter ejaculado em uma passageira, dentro de um ônibus na cidade de São Paulo. No entanto, na ocasião, o juiz José Eugênio Amaral Souza o liberou aplicando uma pena de multa, por considerar o fato uma contravenção penal, e considerou que não houve constrangimento para vítima, o que repercutiu em todo o país.

Para Meirelles, nesse caso, a violência praticada foi interpretada de forma errônea pelo magistrado ou a lei não está em sintonia com a vontade da sociedade. "É importante entender que isso sempre existiu no Brasil. A questão é que agora as mulheres estão mais cientes dos seus direitos, por um lado, e, por outro, tem as redes sociais que funcionam como denúncia e isso acaba criando uma pressão popular para que as autoridades sejam mais rigorosas no cumprimento da lei", comenta o presidente do Instituto Locomotiva.

A pesquisa pretende provocar o debate na população sobre o tema para mostrar que atos recentes não são exceção, mas são a regra do dia a dia brasileiro. "As mulheres são mais vítimas de abusos e de machismo do que se pode imaginar", aponta Meirelles, que lembra que não se trata de um ato isolado. "É um ato contínuo".

(com Agência Brasil)

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