Nervosismo e festa marcam os bastidores da eleição no Cruzeiro

Saiba como foi a votação que sagrou Wagner Pires de Sá o novo presidente do clube celeste

por Rafael Campos 04/10/2017 11:44

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Ronaldo Dolabella/Encontro
O presidente eleito do Cruzeiro, Wagner Pires, comemora com a mão aberta: o pentacampeonato da Copa do Brasil tirou as chances de Sérgio Rodrigues (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
De um lado, o empresário Wagner Pires de Sá, então candidato à presidência do Cruzeiro apoiado por Gilvan de Pinho Tavares, atual mandatário. De outro, o advogado Sérgio Santos Rodrigues, indicado pelo senador Zezé Perrella, ex-presidente do clube. Ao final da apuração dos votos, o nome de Gilvan e o pentacampeonato da Copa do Brasil pesaram. Wagner recebeu 235 votos contra 200, de Sérgio. Cinco conselheiros deixaram a cédula em branco. Este foi o resultado oficial. Os números, no entanto, não são suficiente para entender o que, de fato, se passou na tarde e na noite de segunda, dia 2 de outubro, quando o Cruzeiro viveu uma das eleições mais equilibradas de sua história.

Do lado de fora da sede do clube, na rua Guajajaras, no Barro Preto, região centro-sul de Belo Horizonte, duas torcidas se aglomeravam, animadas por dois caminhões de som, que disputavam – e testavam – a saúde da audição do público. "Só um minutinho que eu falo com você", gritava o ex-jogador Roberto Gaúcho, apontando para o próprio ouvido, sempre que alguém tentava se comunicar com ele. Volta e meia o candidato Sérgio aparecia na porta do clube. Sua torcida o aplaudia; a rival, o vaiava. Mas ele não parecia se abater. "Como está o coração, Sérgio?". "Tudo tranquilo", respondeu, olhando para o relógio. Segundos depois, foi a vez de Wagner aparecer e saldar a torcida. "Só têm campeões aqui", diz o então candidato, apontando para Bruno Vicintin, então vice-presidente de futebol do clube. "Parabéns, presidente!", grita um apoiador antes mesmo da votação ser encerrada.

Entre os conselheiros, o que se comentava é que o pentacampeonato da Copa do Brasil, conquistado dias antes pela equipe celeste, sepultou as esperanças de Sérgio Rodrigues. Mas, o discurso de ambos os candidatos era o mesmo. Não queriam comemorar antes do 'apito do juiz'. À medida que os ponteiros do relógio avançavam, o número de apoiadores de ambos os lados aumentava. Nem a chuva foi capaz de abafar os gritos. "É a eleição mais festiva e animada", comentou Hermínio Francisco Lemos, o vice de Wagner Pires.

Às 20h40, começou a apuração. A demora em chegar a um consenso em relação ao número de votos válidos só aumentou o clima de ansiedade. Foi aí que as atenções se voltaram para os dois candidatos, que, diga-se de passagem, têm perfis bem distintos. Sérgio, trajando calça jeans e uma camiseta da campanha, não parou um só minuto, andando para lá e para cá. Às vezes o advogado soltava um sorriso, mas era difícil esconder o nervosismo. "É natural da idade", susurrou um jornalista. Com 35 anos, Serginho, como gritava sua torcida, poderia se tornar um dos gestores mais novos a assumir o clube, ao lado de Zezé Perrella e Felício Brandi. Enquanto isso, Wagner, de 76 anos, que vestia um terno de cor escura (mas de gravata azul com as cinco estrelas estampadas), estava incólume. O empresário passou a apuração inteira sentado, praticamente na mesma posição. Wagner só se levantaria uma vez: para receber o abraço de Sérgio, que o parabenizou pela vitória.

Após a disputa equilibrada, o discurso da chapa vitoriosa foi de união. "Todos, agora, temos de dar as mãos", disse o presidente Gilvan Tavares. Na festa da chapa vencedora, regada a cerveja e churrasco, o presidente eleito disse que terá, agora, a responsabilidade de continuar o trabalho de Gilvan. "Vou ter de ganhar a Libertadores e o Mundial [de clubes da Fifa]", comentou, segurando um copo de chope – enfim, descontraído. Daqui a três anos, saberemos se Wagner terá conseguido cumprir o prometido.

Últimas notícias

Comentários