Cigarro eletrônico pode virar opção para acabar com o tabagismo

Especialistas americanos acreditam que é melhor usar o aparelho do que ingerir as substâncias da queima do tabaco

por Correio Braziliense 22/11/2017 11:09

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(foto: Pixabay)
Nos últimos anos, cada vez mais países buscam fechar o cerco contra o tabagismo, responsável por causar problemas graves como doenças cardíacas e câncer. Alertas estampados nas embalagens, campanhas de esclarecimento e proibição de fumo em locais fechados são algumas das medidas que ajudaram países como o Brasil a reduzir consideravelmente o número de fumantes nas últimas décadas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o cigarro provoca cerca de sete milhões de mortes no mundo todos os anos. No Brasil, um dos países considerados modelos no combate a esse tipo de vício, há aproximadamente 18 milhões de fumantes, de acordo com o Ministério da Saúde.

Diante desse cenário, especialistas começam a debater estratégias de redução de danos para diminuir o impacto negativo do tabaco. A ideia por trás desse princípio é simples: se uma pessoa não consegue parar de fumar, que ela, pelo menos, possa fazer escolhas menos prejudiciais. Durante a conferência do Instituto Legal de Alimentos e Drogas (FDLI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, realizada no início de novembro em Washington (EUA), foram apresentadas duas estratégias: reduzir a quantidade de nicotina nos cigarros e estimular as pessoas que não conseguem parar de fumar a migrar para produtos menos nocivos, como os cigarros eletrônicos e vaporizadores.

A primeira medida é a grande aposta da nova direção da FDA, agência governamental que regula alimentos e drogas nos Estados Unidos. Em 28 de julho deste ano, o órgão anunciou um plano de redução do índice de nicotina nos cigarros vendidos no país, após receber autorização do congresso americano para esse tipo de intervenção. Um cigarro com menos nicotina, acredita a FDA, será menos viciante e tornará mais fácil a tarefa de parar de fumar. "A nicotina é o centro do problema, mas também é a peça mais importante para a solução", comenta Mitchell Zeller, diretor do Centro para Produtos de Tabaco da FDA, durante a conferência.

A segunda estratégia, e a mais discutida durante a reunião do FDLI, logo causou polêmica. Enquanto alguns especialistas e até mesmo governos começam a recomendar que os fumantes que não conseguem largar o tabaco migrem para produtos menos prejudiciais, outros relutam em fazer tal sugestão, por considerarem que ainda falta informação sobre os riscos desses novos aparelhos.

Quem é contra essa estratégia polêmica é o ativista Dave Dobbins, que coordenada a ONG Truth Initiative, dedicada a afastar jovens e adultos do tabaco. "Às vezes, sou cobrado por não recomendar às pessoas que troquem o cigarro comum pelo eletrônico. Mas, eu devolvo a pergunta: qual cigarro eletrônico eu vou recomendar? Há centenas deles no mercado e não sabemos o suficiente sobre eles. Não sabemos quais atendem padrões mínimos de segurança para os consumidores, se há algum sabor com substâncias cancerígenas que não deveriam estar lá, se alguma marca entrega quantidades excessivas de nicotina para o consumidor. Ainda falta conhecimento", argumenta Dobbins.

Há, porém, os que estão convencidos de que a melhor estratégia para aqueles que não conseguem parar de fumar é se afastar do tabaco queimado. Isso porque hoje se sabe que o câncer provocado pelo fumo não se deve à nicotina, mas às demais substâncias (dezenas delas) liberadas na combustão do produto.

Assim, seria melhor a pessoa receber a dose de nicotina por meio de cigarro eletrônico ou vaporizador, que não envolve a queima do tabaco, do que de um cigarro ou um charuto. "Eu diria a meus pacientes: não use nenhum desses produtos, mas, se você não consegue, ao menos elimine o tabaco queimado de sua vida", orienta David Abrams, professor da Escola de Saúde Pública Global da Universidade de Nova Iorque (EUA).

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