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Estado de Minas SAúDE

Sabia que a febre amarela pode causar problemas no coração?

A doença transmitida pelo Aedes aegypti, nas cidades, voltou a chamar atenção devido aos casos em São Paulo


postado em 10/11/2017 09:08 / atualizado em 10/11/2017 09:37

Os casos de febre amarela na região norte da cidade de São Paulo, bem como em algumas cidades do interior paulista, voltou a chamar a atenção para essa doença, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegyti em áreas urbanas. A situação é preocupante já que a doença pode representar grandes riscos à saúde. Afinal, logo após o contágio, a febre amarela afeta diferentes órgãos do corpo, como o fígado, os rins, o cérebro e o coração. "São raros os casos em que a febre amarela afeta o coração. Porém, quando atinge este órgão, a doença pode levar a óbito, mesmo que o paciente infectado jamais tenha apresentado qualquer tipo de cardiopatia antes de contraí-la", alerta o imunologista Dewton de Moraes Vasconcelos, do Hospital do Coração, de São Paulo.

O médico explica que, nos casos em que acomete o sistema cardíaco, o vírus pode provocar, eventualmente, miocardite (inflamação do músculo cardíaco), seguida por quadros súbitos de insuficiência cardíaca. Além disso, a doença pode afetar terminações nervosas do coração e desencadear arritmias. "Por isso, os moradores das áreas de maior risco de contágio da doença, devem ficar atentos e procurar auxílio médico o quanto antes, caso apresentem sintomas de alguma destas complicações. Quanto antes o socorro chegar, maiores são as chances de evitar eventos fatais ou mesmo sequelas que possam comprometer o funcionamento do coração no futuro", afirma o imunologista, lembrando que, em casos de distúrbios cardíacos motivados pela febre amarela, o paciente deve ser prontamente levado a um serviço de emergência com suporte cardiológico avançado que possa tratar arritmias ou uma eventual falência cardíaca.

Sintomas

De acordo com Dewton Vasconcelos, os sintomas mais comuns de problemas cardíacos relacionados à febre amarela são: fraqueza, escurecimento súbito da visão, cansaço, perda de força, desmaios repentinos ou problemas relacionados ao sono provocados por dispneias (dificuldades para respirar), como a ortopneia – faz com que o indivíduo precise elevar bastante a cabeça ou mesmo ficar sentado para conseguir respirar, enquanto dorme. "Todos estes sintomas podem ser ainda mais comuns ou acentuados no caso de quem já apresenta algum tipo de cardiopatia. Portanto, o cuidado com a febre amarela deve ser redobrado no caso de pessoas que apresentem um sistema cardiovascular e imunológico mais frágil, como idosos, por exemplo", comenta o médico.

Tratamento

Transmitida em nosso meio pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus ou Sabethes, encontrado em ambientes silvestres ou rurais, e Aedes aegypti ou A. albopictus, nas regiões urbanas, a febre amarela não conta com tratamento específico. Até que ela deixe o organismo, tratam-se apenas eventuais complicações ou os sintomas da doença em si – entre os quais estão febre; dor de cabeça; perda de apetite; náuseas; vômito; olhos, rosto e língua avermelhados; fotofobia; fadiga e fraqueza; além de dores musculares em todo o corpo, principalmente, nas costas.

Prevenção

Se o tratamento é limitado, a prevenção da febre amarela oferece mais possibilidades. Basicamente, pode ser feita por meio de vacinas e do combate aos vetores de transmissão da doença. "No caso da vacinação, a recomendação é, além de cumprirmos com as determinações do Ministério da Saúde, quanto às doses por idade, sempre assegurar que idosos acima dos 60 anos, nunca antes vacinados, gestantes e lactantes passem por uma avaliação médica antes de receber a vacina. Viajantes para áreas endêmicas também devem ser vacinados. Além disso, todas as pessoas que trabalham em laboratórios que manejam o vírus da febre amarela, indivíduos infectados pelo HIV ou mulheres que estavam grávidas quando tomaram a primeira dose da vacina devem ser vacinados também, antes da próxima viagem a locais de risco de exposição à doença", esclarece Dewon Vasconcelos.

Já em relação ao combate aos mosquitos transmissores da febre amarela, a dica é sempre utilizar repelente em zonas rurais ou de mata, além de seguir à risca todas as medidas de controle ao Aedes aegypti, amplamente divulgadas pela mídia – como evitar acúmulo de água em recipientes ou espaços da casa; instalar telas em portas e janelas; além de utilizar inseticidas e larvicidas em locais como ralos, vasos para plantas ou vasos sanitários.

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