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Estado de Minas CIDADE

Você conhece o primeiro bloco de rua de Belo Horizonte, o Leão da Lagoinha?

Fundado em 1947, o bloco do boêmio bairro da Lagoinha parou de desfilar na década de 1980, retornando no Carnaval de 2017


postado em 23/11/2017 09:39 / atualizado em 23/11/2017 09:48

Você acha que o Carnaval de rua de Belo Horizonte, com os inúmeros blocos, é um "fenômeno" recente? Pois está errado. A capital mineira ganhou seu primeiro bloco na década de 1940. "No carnaval de 1948, alguns meninos resolveram sair às ruas vestidos de mulher. As irmãs de um deles se entusiasmaram e capricharam na maquiagem e nas roupas. Ao se verem em frente ao espelho, chegaram à conclusão que estavam tão perfeitos que correriam o risco de receber algumas cantadas", diz trecho do livro A Turma e Outros Casos, escrito por Tarcísio Ildefonso Costa. No caso, os garotos que estavam travestidos brincavam ao som da bateria do Leão da Lagoinha, primeiro bloco de rua do Carnaval de BH, fundado em 1947.

A concentração acontecia sempre no mesmo local: no encontro das ruas Itapecerica e Machado de Assis, na boêmia região da Lagoinha. De lá, o bloco seguia em cortejo até a avenida Afonso Pena, para abrir os desfiles das escolas de samba. "Vinha gente da cidade inteira, era uma coisa de louco", brinca Jairo Nascimento Moreira, atual presidente do Leão da Lagoinha e também da Associação Cultural Recreativa Santo André.

De acordo com Jairo, a origem do bloco tem muito a ver com o lendário Terrestre Esporte Clube, conhecido como a agremiação de várzea mais querida da cidade, não só pela popularidade, mas também por proporcionar fervorosos bailes dançantes em sua sede social, na rua Itapecerica. "Juscelino Kubitschek era frequentador assíduo desses bailes, onde músicos, jogadores e outras personalidades da época se misturavam ao povão", lembra o presidente do Leão da Lagoinha. Hoje, além das saudosas memórias boêmias, o sobrado verde da rua Itapecerica abriga bares, uma borracharia e uma relojoaria.

Jairo conta que o Leão sempre teve um "quê" de teatral. Uma das inspirações era o mito da Loira do Bonfim – lenda urbana sobre uma mulher que seduzia homens e os levava para casa, que, na verdade, era o Cemitério do Bonfim. "Em homenagem a ela, foliões colocavam perucas loiras, exageravam no batom vermelho e, em um misto de teatro e samba, desfilavam pelas ruas do bairro", conta.

Porém, nem só de festas viveu o bloco mais antigo da cidade. Em uma dissidência ocorrida em 1975, parte dos músicos e integrantes fundou a Banda Mole. Cerca de 100 foliões fantasiados de mulher saíram da Lagoinha em direção ao centro da cidade. Em 1995, a Banda Mole alcançou seu recorde de público, arrastando cerca de 400 mil pessoas em seu tradicional pré-Carnaval de rua.

De 1975 a 1985, o Leão da Lagoinha foi "sobrevivendo" com sérios problemas financeiros. "Assim, o Leão adormeceu. Somente em 2010 começamos a discutir novamente a volta do bloco, que aconteceu de fato no Carnaval de 2017", diz Jairo Moreira. O bloco se juntou à bateria Manhas e Manias e fizeram ensaios abertos na comunidade. Com tudo afinado, voltou para a avenida Afonso Pena e, "acordado como nunca", como afirma Jairo, o Leão abriu novamente os desfiles das escolas de samba de Belo Horizonte.

O famoso bloco do bairro Lagoinha já está cadastrado pela Belotur para desfilar no Carnaval de 2018 em BH. Uma das novidades é uma parceria com o artista-plástico e carnavalesco Léo Piló, para confecção de uma escultura com o leão símbolo do bloco. "Além disso, vamos produzir uma camisa comemorativa dos 70 anos, um DVD e uma grande festa", antecipa Jairo.

(com portal da PBH)

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