Cientistas encontram benefícios da religião e da espiritualidade no apoio aos tratamentos médicos

A pesquisa feita na USP descobriu que as intervenções religiosas e espirituais são muito benéficas

por Encontro Digital 07/12/2017 12:44

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(foto: Pixabay)
Um estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP analisou a influência da religiosidade e da espiritualidade na saúde mental e na qualidade de vida das pessoas. Enquanto muitos acreditam que existam benefícios na crença como forma complementar de tratamento, outros são contrários à interferência da religiosidade sobre a Medicina tradicional.

Os pesquisadores Juliane Bernardin Gonçalves, Giancarlo Lucchetti, Frederico Leão, Paulo Menezes e Homero Vallada avaliaram diversos estudos que tratam da aplicabilidade clínica de intervenções religiosas e espirituais, a fim de encontrar semelhanças entre as conclusões, juntar os resultados em uma técnica estatística e, então, contribuir para a evolução da pesquisa na área.

O estudo da USP decidiu seguir uma linha de pensamento que define a espiritualidade como valores morais, ou crença em uma "força maior", sem a necessidade de alguma filiação religiosa, podendo incluir grupos religiosos específicos e até indivíduos ateus e agnósticos; já a religião foi tida como "ligação com o sagrado ou transcendental através de um sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos", como é o caso do catolicismo, do judaísmo e do islamismo.

As intervenções religiosas e espirituais analisadas se davam, entre outras formas, por meio de grupos de oração, troca interpessoal, discussões sobre valores morais e éticos, psicoterapia, intervenções com áudio ou vídeo e serviços pastorais. Os estudos comparavam, então, essas práticas com técnicas complementares já reconhecidamente benéficas, como meditação tradicional, propostas educativas, yoga e tai chi chuan.

Os cientistas descobriram que as intervenções têm, na maioria dos casos, efeitos ainda mais benéficos na qualidade de vida dos indivíduos em comparação com os métodos já conhecidos. Elas estão associadas à redução dos sintomas de ansiedade em pacientes; queda do nível de estresse e exaustão emocional em profissionais da saúde; diminuição na intensidade do consumo de drogas; e melhoria nos sintomas ligados à depressão.

Efeito placebo?

Questionada sobre o possível "efeito placebo" das intervenções religiosas e espirituais, ou seja, efeitos psicológicos da crença que interferem nas respostas do organismo ao tratamento, a pesquisadora Juliane Gonçalves afirma que não é possível precisar a porcentagem de placebos no resultado das intervenções. Isso porque, segundo ela, são ensaios clínicos nos quais há participação e consciência do paciente sobre a técnica aplicada em seu tratamento – normalmente o placebo pressupõe a administração de um medicamento inerte concomitantemente com o verdadeiro, sem a ciência do voluntário.

Isso não diminui, porém, a validade da pesquisa, na opinião de Juliane, já que analisa artigos baseados em metodologias mundialmente reconhecidas. Ainda assim, a pesquisadora garante que esses efeitos existem e são importantes fatores de influência.

(com Jornal da USP)

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