Ação da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte ajuda a preservar o faveiro-de-wilson

Árvore está em risco de extinção e é endêmica da região central de Minas Gerais

por Encontro Digital 06/12/2017 13:17

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Flickr/PBH/Suziane Fonseca/Reprodução
O Jardim Botânico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de Belo Horizonte atua na preservação da árvore faveiro-de-wilson, que é endêmica de Minas Gerais e em risco de extinção (foto: Flickr/PBH/Suziane Fonseca/Reprodução)
Apesar de ser uma árvore pouco conhecida, sua importância para Minas Gerais é imensa. O faveiro-de-wilson (Dimorphandra wilsonii) é endêmico de nosso estado e corre um sério risco de desaparecer – consta no livro vermelho da flora do Brasil, como "criticamente em perigo" de extinção. Para que isso não aconteça, algumas ações estão sendo feitas, como a que envovle o engenheiro florestal e pesquisador Fernando Fernandes.

Ele é o coordenador do Plano de Ação Nacional para Conservação do Faveiro-de-Wilson e do Programa de Conservação do Faveiro-de-Wilson, iniciativas do Jardim Botânico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Fernandes trabalha há 14 anos com a conservação da espécie ameaçada.

Segundo o pesquisador, o plano de ação prevê atividades que envolvem conscientização ambiental, políticas públicas, integração entre as instituições, pesquisas e preservação da espécie e do seu habitat. Como exemplo, o engenheiro destaca ações como monitoramento da árvore na natureza, a coleta de sementes e reintrodução da espécie nos municípios onde ela ocorre. "O programa é importante para a sobrevivência da espécie porque ela está em uma situação crítica especialmente por conta da perda de seu habitat, um problema comum para a extinção de espécies de um modo geral", comenta Fernando Fernandes.

O engenheiro florestal conta que o resultado do trabalho pode ser mensurado pelo número de exemplares adultos encontrados na natureza. "Hoje, temos cerca de 400 exemplares catalogados. Isso porque aumentou o nosso conhecimento sobre a espécie. Algum tempo atrás desconhecíamos a existência desses indivíduos. Agora, podemos fazer a coleta de informações e o manejo corretamente", observa o pesquisador.

Com relação ao plantio, a meta para os próximos três anos é ter cerca de mil mudas reintroduzidas. Isto significa o cultivo prévio em viveiros e a introdução em áreas apropriadas e monitoradas. "O faveiro-de-wilson é uma espécie de cultivo muito difícil e imprevisível, mas fizemos uma série de experimentos, inclusive durante a realização de dois trabalhos de bolsistas da Fapemig. Melhoramos o cultivo da espécie. Ainda assim é um processo trabalhoso, um pouco demorado, se compararmos com o cultivo de outras plantas", afirma Fernando Fernandes.

Hoje, segundo o pesquisador, existem cerca de mil mudas no viveiro da FPMZB. Parte delas será introduzida no campo ainda este ano. A maioria deve ser plantada em 2018, na temporada das chuvas. "Graças às parcerias foi possível ampliar significativamente a proteção e o conhecimento sobre a espécie. Também foi feito, regularmente, o monitoramento das árvores existentes na natureza e das mudas reintroduzidas como parte do programa. Além disso, foi possível localizar novas árvores da espécie na região', diz.

A espécie

O faveiro-de-wilson é uma espécie endêmica da região central de Minas Gerais, que ocorre na transição do cerrado para a Mata Atlântica, não existindo em nenhum outro lugar do mundo. Após 12 anos de busca, com a ajuda das comunidades, foram encontradas mais de 400 árvores adultas na natureza em algumas propriedades nos municípios de Paraopeba, Caetanópolis, Sete Lagoas, Matozinhos, Jaboticatubas, Lagoa Santa, Esmeraldas, Florestal, Juatuba, Mateus Leme, São José da Varginha, Fortuna de Minas, Pequi, Maravilhas, Inhaúmas, Nova Serrana, Onça do Pitangui, Pará de Minas e Perdigão.

A espécie chegou próximo à extinção devido à destruição das matas da região nos últimos 60 anos. A maioria das árvores encontradas estava isolada no meio de pastagens. Os indivíduos podem ser encontrados também em capoeiras e matas, tanto nas baixadas quanto nas encostas e topos de morro. Por ser uma árvore rara e ameaçada de extinção, o faveiro-de-wilson não pode ser cortado e é legalmente protegido pelo Decreto Lei nº 43904/2004.

(com portal da PBH)

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