Além de fazer mal para o coração e para os pulmões, a poluição afeta a saúde mental

Estudo feito nos Estados Unidos encontrou relação entre elevada concentração de poluentes e estresse psicológico

por Correio Braziliense 26/12/2017 12:02

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Pixabay
(foto: Pixabay)
Que a poluição é um perigo para o sistema respiratório, isso todo mundo sabe. Porém, cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram que, quanto maior o nível de substâncias poluentes no ar, maior o impacto na saúde mental das pessoas.

O estudo, publicado na revista científica Health & Place, é o primeiro a usar dados representativos, cruzados com informações sobre poluição, para avaliar a conexão entre a toxicidade presente no ar e os problemas psicológicos associados. "Realmente, isso nos coloca em uma nova trajetória quanto aos efeitos da poluição atmosférica. Embora os impactos na saúde cardiovascular e pulmonar já tenham sido bem estabelecidos, essa área da saúde cerebral é completamente nova", diz Anjum Hajat, professor de Epidemiologia da Universidade de Washington, no artigo recém publicado.

Os resultados mostram ainda que a poluição do ar está associada a mudanças comportamentais (passar menos tempo em áreas externas, por exemplo, ou se tornar mais sedentário) que podem levar ao isolamento social e ao estresse psicológico.

Com base numa pesquisa feita com seis mil voluntários, os pesquisadores procuraram conexões diretas entra a toxicidade atmosférica e a saúde mental. A equipe se concentrou nas quantidades de matéria fina particulada, uma substância produzida por motores de carros, por lareiras e fogões à lenha, além de termelétricas abastecidas com carvão ou gás natural. O material particulado, com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro, é facilmente inalado e pode ser absorvido pela corrente sanguínea – por isso, é considerado mais prejudicial que os poluentes maiores. Para se ter uma ideia de quão pequeno é essa partícula, um fio de cabelo humano mede cerca de 70 micrômetros de diâmetro.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o nível máximo de 12 microgramas de material particulado por m³. Entre 1999 e 2011 – período examinado pelo estudo americano –, os voluntários moravam em vizinhanças com poluição que chegava a 24,23 microgramas por m³ dessa poluente.

A equipe da Universidade de Washington constatou que o risco de sofrer de estresse aumentou proporcionalmente à quantidade de partícula fina no ar. Por exemplo, em áreas com níveis de poluição acima de 21 microgramas, o estresse psicológico era 17% maior do que nas regiões com baixa concentração (até cinco microgramas por m³). Outra descoberta foi que cada aumento de cinco microgramas de poluição tinha o mesmo efeito na saúde mental do que a perda de 1,5 ano de educação formal.

O motivo específico pelo qual a poluição atmosférica impacta na saúde mental está além do que foi investigado, já que o trabalho americano é apenas observacional, ou seja, procura encontrar uma relação, mas sem estabelecer causa e efeito.

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