Apesar de discriminadas, as pombas são mais inteligentes do que se imagina

Estudo americano descobriu que o pombo é capaz de reconhecer variações de espaço e de tempo

por Correio Braziliense 05/12/2017 17:30

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Pixabay
Apesar de não terem lóbulo parietal, como os humanos, as pombas também têm capacidade de reconhecer mudanças no espaço e no tempo, segundo estudo feito nos Estados Unidos (foto: Pixabay)
Apesar de serem discriminadas e chamadas até de "ratos que voam", as pombas, segundo cientistas americanos, podem ser mais inteligentes do que imaginamos. O estudo, publicado na segunda, dia 4 de dezembro, na revista Current Biology, mostra que essas aves lidam com noções de tempo e espaço da mesma forma que os humanos e os macacos.

A intenção dos pesqusiadores era descobrir se animais considerados "inferiores", como répteis e peixes, seriam capazes de tomar decisões inteligentes. "Sem dúvida, a capacidade cognitiva das aves é considerada, agora, ainda mais próxima à dos primatas, tanto humanos como não-humanos", comenta Edward Wasserman, professor de psicologia experimental na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, e autor do estudo.

O cientista afirma que o sistema nervoso dos pombos é capaz de feitos incríveis, que tornam sem efeito a famosa expressão pejorativa "cérebro de passarinho".

O estudo feito nos EUA colocou as aves de frente para um monitor de computador, no qual era exibida uma linha horizontal por dois a oito segundos. Em alguns casos, a linha tinha 24 cm de comprimento, enquanto em outros, apenas 5 cm. Os pesquisadores queriam que as pombas descobrissem, entre quatro símbolos visuais distintos, qual era a linha mais comprida ou mais curta, ou se a imagem aparecia rapidamente ou por um tempo maior.

As aves que respondiam corretamente eram recompensadas com comida. Em seguida, o estudo dificultou o trabalho dos bichinhos, introduzindo linhas de tamanhos diferenciados e fazendo com que o teste variasse, para que as pombas ficassem confundidas em relação ao espaço e ao tempo. "As pombas compreenderam que as maiores linhas também tinham uma duração maior e que as linhas de maior duração eram também as maiores", informa o texto do artigo científico.

Curiosamente, esse mesmo tipo de experimento foi realizado em humanos e em macacos e obteve resultados semelhantes.

A diferença é que a área do cérebro humano em que ocorre esse processo cognitivo, o lóbulo parietal, parece não existir nas pombas. Ou seja, o complicado processamento de espaço e tempo acontece em outra parte do cérebro da ave. "O córtex cerebral não é a única [parte] que funciona em relação à noção de tempo e espaço", diz Benjamin de Corte, do Instituto Neurociências da Universidade de Iowa e co-autor do estudo. "As pombas têm outros sistemas neurais que permitem perceber essas dimensões", completa.

(com Agência France-Presse)

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