Uso de calmante é associado ao maior risco de morte

Estudo canadense mostra que o uso indiscriminado de ansiolítico pode ser fatal

por Vinícius Andrade 25/01/2018 08:49

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(foto: Pixabay)
Os remédios chamados de ansiolíticos são uma alternativa encontrada por muitas pessoas para controlar a ansiedade e diminuir a tensão. Os benzodiazepínicos são os tipos mais comuns e abrangem uma classe de medicamentos psiquiátricos conhecidos como tranquilizantes, que causam depressão respiratória e são usados para tratar distúrbios do sono, estresse, convulsões, entre outros. Neste grupo, estão incluídas drogas comumente prescritas, como Valium, Xanax e Rivotril.

Mas, o uso indiscriminado dessas substâncias tem sido associado a taxas de mortalidade maiores do que o uso de drogas ilícitas, como a heroína e a cocaína. Pelo menos é o que sugerem pesquisas realizadas pela Universidade da Colúmbia Britânica, de Vancouver, no Canadá.

O primeiro estudo analisou um grupo de 2.802 usuários de drogas entre 1996 e 2013. Cada participante foi entrevistado semestralmente durante uma média de aproximadamente cinco anos e seis meses. Ao fim da pesquisa, 527 (18,8%) dos usuários acabaram falecendo.

Os cientistas observaram que a taxa de mortalidade foi 1,86 vezes maior entre os participantes que faziam uso de benzodiazepínicos em comparação com aqueles que não usavam. É importante ressaltar que o estudo analisou pessoas que usavam drogas injetáveis. Entre os pacientes, 26,2% relataram uso de benzodiazepínicos nos últimos seis meses; 36,7% injetavam heroína diariamente; e 28,6% injetavam cocaína todos os dias.

O uso de benzodiazepínicos foi maior em usuários de heroína e cocaína injetáveis, combinações que são extremamente perigosas, segundo o psiquiatra Arthur Kümmer, professor da UFMG. "Tanto benzodiazepínicos quanto os opioides [drogas obtidas do ópio, como a heroína] causam depressão respiratória, e isso, sem dúvida, pode estar relacionado ao maior risco de morte nesses pacientes", explica o médico.

Um segundo estudo realizado em um grupo menor, mas com os mesmos participantes do primeiro, examinou a ligação entre o uso de benzodiazepínicos e a infecção de hepatite C. Dos 440 pacientes negativos para a doença, 158 relataram uso prescrito ou ilícito de benzodiazepínicos e 142 contraíram a hepatite durante o estudo. Os pesquisadores concluíram que as taxas de infecção eram 1,67 vezes mais altas entre os usuários que recorriam a tranquilizantes, comparados ao outro grupo.

Ansiolíticos devem ser evitados?

De acordo com o psiquiatra Arthur Kümmer, drogas como o Rivotril são essenciais para certos quadros clínicos, como algumas formas de epilepsia e no tratamento da síndrome de abstinência de álcool. Esses medicamentos, segundo ele, também podem ser usados para conter crises de ansiedade, entretanto, em contexto de urgência e pelo menor tempo possível.

"A recomendação atual para se evitar o uso indiscriminado desses medicamentos é por seu potencial de causar dependência. Mas, têm surgido evidências preliminares de que os benzodiazepínicos podem piorar o prognóstico de alguns transtornos psiquiátricos, além de causar problemas cognitivos", destaca o especialista.

Ainda conforme o professor, a recomendação médica atual para o tratamento de transtornos de ansiedade tenta evitar o uso dessas substâncias, dando preferência para outros remédios que não causam dependência e por tratamentos não medicamentosos, como as psicoterapias.

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