Cientistas descobrem a causa da morte de 20 milhões de astecas no século XVI

A civilização asteca foi vítima de mais uma doença trazida pelos colonizadores espanhóis

por João Paulo Martins 16/01/2018 11:49

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Segundo o estudo alemão, os 20 milhões de astecas que morreram entre os anos de 1545 e 1576 foram vítimas de uma infecção intestinal causada pela bactéria Salmonella trazida pelos espanhóis (foto: Pixabay)
Finalmente os cientistas encontraram a explicação para a doença conhecida como "cocoliztli", e que dizimou cerca de 20 milhões de astecas entre os anos de 1545 e 1576. Este problema se caracterizava por sintomas como febre alta, dor de cabeça e sangramento nos olhos, boca e nariz, e resultava, na maioria das vezes, em óbito. Até então, só se sabia que a doença era decorrente da chegada dos colonizadores espanhóis, liderados por Hernán Cortez.

Por meio de um estudo realizado pela Universidade de Tubinga, na Alemanha, e publicado recentemente na revista científica Nature Ecology and Evolution, foi possível mostrar que os moradores da região que, hoje, compreende todo o México e parte da Guatemala, não foram vítimas do sarampo, da gripe ou da varíola, como muitos pesquisadores imaginavam. Na verdade, os astecas foram mortos em decorrência de uma infecção intestinal. Para se chegar a esta conclusão, os cientistas analisaram o DNA de esqueletos do século XVI que foram vítimas da doença.

"A epidemia, uma das muitas que surgiram no México após a chegada dos europeus, foi a mais devastadora e a que produziu o maior número de mortes", comenta a pesquisadora Ashild Vagene, uma das autoras do estudo, no artigo recém publicado. Ela lembra que, antes de 1545, um surto de varíola, também decorrente da presença dos europeus, chegou a matar entre cinco e oito milhões de nativos americanos.

Para esclarecer a "cocoliztli", os cientistas alemães analisaram 29 esqueletos que estavam enterrados numa vala comum, no México, e que tinham sido mortos em virtude da doença "misteriosa". Após o exame de DNA, os pesquisadores descobriram que a culpada pelas mortes na comunidade asteca – vitimou cerca de 80% da população – era a bactéria Salmonella paratyphi C, uma variante do conhecido micro-organismo, e que, atualmente, já não é considerado mortal. O problema é que, nessa época, os povos que viviam nas Américas não tinham anticorpos para enfrentar a bactéria. Ao contrário deles, os espanhóis eram imunes à doença, já que ela circulava na Europa desde a Idade Média.

Ainda segundo o estudo da Universidade de Tubinga, os astecas devem ter entrado em contato com essa variante da Samonella por meio dos animais que viajaram junto com os colonizadores. Iss porque a transmissão da Samonella se dá por meio da água e de alimentos contaminados por fezes.

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