Empresa coloca 'estrela artificial' em órbita e causa revolta em astrônomos

A Rocket Lab lançou a Estrela da Humanidade em janeiro, apenas para ser um objeto muito brilhante no céu noturno

por João Paulo Martins 30/01/2018 10:50

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Instagram/humanitystar/Reprodução
A Estrela da Humanidade começou a orbitar a Terra em janeiro e, como não tem função alguma, a não ser "brilhar", está deixando muitos astrônomos revoltados (foto: Instagram/humanitystar/Reprodução)
A empresa neo-zelandesa de fabricação de foguetes Rocket Lab, fundada por Peter Beck, está causando polêmica em todo o mundo, especialmente entre os profissionais da astronomia. Isto porque ela decidiu lançar uma espécie de satélite chamado Humanity Star (Estrela da Humanidade, em tradução livre), que deve ficar vagando por nove meses em volta da Terra, apenas para ser "apreciado" pelas pessoas. O lançamento se deu no dia 21 de janeiro, na Nova Zelândia.

A Estrela da Humanidade foi pensada por Peter Beck para ser extremamente reflexiva. Ela possui nada menos que 65 painéis refletores de luz e gira muito rápido. Ela orbita nosso planeta a cada 90 minutos e, conforme a Rocket Lab, a ideia é que seja um símbolo brilhante para lembrar a humanidade de nossa "posição frágil no Universo".

"Não importa onde você esteja no mundo, se é rico ou pobre, se está em paz ou em guerra, todos serão capazes de observar o brilho e o piscar da Estrela da Humanidade orbitando a Terra no céu noturno. Minha esperança é que todos que observarem a Estrela da Humanidade, consigam ver por além dela, para nosso Universo em expansão, e possam sentir a conexão de nossa posição no espaço e pensar um pouco diferente em relação às suas vidas e ações, o que improta, de fato", comenta Peter Beck, em texto divulgado no site oficial do projeto.

A expectativa é que em outubro o satélite/estrela se desintegre na atmosfera terrestre. Até lá, poderá ser vista de vários pontos da Terra, durante a noite. O problema é que toda essa visibilidade está causando incômodo entre astrônomos e astrofísicos.

Para Caleb A. Scharf, diretor do Centro de Astrologia da Universidade Columbia, dos Estados Unidos, o lançamento da Estrela da Humanidade afeta o espaço ao redor de nosso planeta, que já está cheio de satélites e de fontes artificiais de luz, o que prejudica as observações astronômicas.

Para se ter uma ideia, atualmente, a órbita da Terra possui dezenas de milhares de satélites e detritos, que aumentam ainda mais a cada ano. Em 2017, somente a Índia colocou em órbita nada menos que 104 satélites de uma só vez.

Outros cientistas compararam a Estrela da Humanidade a uma esfera de discoteca, lixo espacial ou grafíti espacial. "O que irrita mesmo, neste satélite, é que foi desenhado especialmente para ser o mais brilhante, e nada mais. É como se alguém pendurasse uma publicidade de neon perto da janela de seu quarto", critica Jonathan McDowell, astrofísico do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos EUA.

Se não abstasse a iniciativa controversa da empresa neo-zelandesa, em 6 de fevereiro deste ano, o bilionário americano Elon Musk, que é diretor executivo da SpaceX, planeja lançar o foguete espacial Falcon Heavy com um carro esportivo Tesla a bordo. A intenção não é só colocar o veículo em órbita, mas enviá-lo em direção a Marte.

(com Agência Sputnik)

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