Além da distância, existe outro problema para se viajar até Marte

Cientistas descobriram que uma viagem até o Planeta Vermelho causaria um nível de radiação cósmica quase letal

por João Paulo Martins 15/01/2018 14:25

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
National Geographic Channel/Reprodução
Uma viagem até o planeta Marte, segundo cientistas europeus, pode ser quase fatal, devido ao alto índice de radiação cósmica que afetaria os astronautas no decorrer do trajeto (foto: National Geographic Channel/Reprodução)
Aproveitando os dados registrados pelos dosímetros instalados na sonda espacial ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), lançada em 2016  pela Agência Espacial Europeia (ESA) em parceria com a Agência Espacial Federal da Rússia (Roscosmos), os astrônomos descobriram que a viagem até Marte pode ser um risco para futuros astronautas, mas, não apenas pelo longo período em órbita – o trajeto pode levar até um ano –, como também devido à forte presença de raios cósmicos.

Após analisar os dados transmitidos para a Terra pela sonda TGO, os pesquisadores descobriram que os viajantes que se aventurarem até o Planeta Vermelho deverão receber 0,68 sieverts (unidade que mede o impacto da radiação ionizante no ser humano) de radiação, o que equivale a uma dose próxima ao índice considerado letal. Para se ter um comparativo, passar um dia na região da usina nuclear de Fukushima, que sofreu um acidente durante o terremoto que atingiu a parte central do Japão em 2011, causaria o acúmulo de 3,5 microsieverts (0.000035 sieverts) no organismo. Este valor equivale a um raio-x da arcada dentária.

Segundo os especialistas, os astronautas que trabalham e vivem à bordo da Estação Espacial Internacional (ou ISS, na sigla em inglês) recebem apenas 0,3 sieverts por ano de exsposição à radiação cósmica.

"O telescópio de dosimetria Lulin, instalado a bordo da TGO, mostrou que, durante o voo para Marte, o corpo humano deve sofrer uma séria radiação ionizante, causada em grande parte por raios cósmicos e não por radiação solar. Isso significa que os astronautas seriam expostos ao perigo, mesmo que o voo fosse feito em um período de baixa atividade solar", asseguram os astrônomos em artigo publicado no periódico científico ScienceDirect.

Os cientistas europeus observaram, portanto, que a maior parte da radiação sofrida por quem viajar até o Planeta Vermelho, cerca de 95%, será proveniente dos raios cósmicos, enquanto apenas 5% terão origem na energia emanada pelo nosso Sol.

Na prática, o astronauta que se sujeitar a um voo com duração de um ano até Marte deverá receber uma radiação equivalente a 0,68 sieverts. Além disso, em apenas seis meses de trajeto, os integrantes da espaçonave terão recebido cerca de 60% da quantidade de radiação normalmente permitida ao longo de toda a carreira de um astronauta, dizem os cientistas.

(com Agência Sputnik)

Últimas notícias

Comentários