Surto de febre amarela volta a colocar em risco as populações de macacos no Brasil

As pessoas precisam entender que os primatas são vítimas da doença e servem de alerta para a presença dela

por Da redação com assessorias 17/01/2018 12:31

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Ativistas ambientais reforçam que os macacos também são vítimas da febre amarela no Brasil e atuam como sentinelas da doença, ajudando na prevenção para os humanos (foto: Pixabay)
Estimativa dos órgãos de proteção ambiental é que existam no mundo cerca de 500 espécies de primatas e, de forma assustadora, 60% delas correm risco de extinção. Dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mostram que somos o país com o maior número de espécies conhecidas – 139 tipos de primatas brasileiros. O problema é que 35 destas espécies estão ameaçadas. Se não bastasse a ação indireta do homem na extinção dos macacos, com a expansão as áraes urbanas e a destruição das florestas, a caça e o abate também são fatores de riscos para os animais, especialmente quando surgem surtos ou epidemias de febre amarela.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, no final de 2017, o avanço da doença causou a morte de todos os macacos do horto florestal da capital paulista, além do o fechamento de vários parques. De acordo com Sérgio Lucena Mendes, especialista em primatas e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), o desenvolvimento da febre amarela se torna mais propício pela redução das áreas silvestres e o consequente avanço das cidades. Quando adicionamos outros fatores, como mudança climática, por exemplo, a equação se torna ainda mais complicada. "É preciso ver o surto com um olhar ecológico, além da preocupação com a saúde humana. Para controlar a febre amarela é preciso, necessariamente, preservar os habitats naturais e suas espécies nativas. Desflorestar e matar macacos não impede a circulação do vírus da doença e pode até piorar a situação", alerta o especialista.

No início do ano, milhares de mortes, de humanos e de muito primatas, aconteceram devido à contaminação provocada por mosquitos dos gêneros Sabethes e Haemagogus, que vivem especificamente em ambientes florestais e são portadores do vírus da febre amarela. A proximidade cada vez maior das áreas urbanas e as florestas facilita a disseminação da doença, que é letal para os primatas e dizimou espécies nas regiões sudeste, nordeste e norte,s egundo informação da RECN. "A saúde humana está intimamente relacionada à saúde do meio-ambiente. O controle da febre amarela inclui, necessariamente, a preservação dos habitats naturais e suas espécies nativas. Com as temperaturas altas, a doença volta a ter as mesmas consequências que vimos no início do ano passado", esclarece Sérgio Mendes.

Com a falta de vacinação, uma tragédia muito maior pode ocorrer, uma vez que o mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e da zika, o famigerado Aedes aegypti, também pode ser o vetor da febre amarela nas áreas urbanas, potencializando os riscos. Felizmente, isso não ocorre no Brasil desde 1942.

Por isso a conservação dos primatas e a preservação do habitat onde vivem são fatores intimamente ligados à prevenção dessa grave doença.

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