Além da febre amarela e da dengue, hepatite A preocupa no Verão

Aumento de casos da doença causada por vírus no Rio de Janeiro chama a atenção para sua prevenção

por Encontro Digital 15/01/2018 16:23

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Annaiarulhospital.com/Reprodução
(foto: Annaiarulhospital.com/Reprodução)
Parece que este Verão está muito mais propenso a doenças. Além da dengue e da febre amarela, a hepatite A também está causando preocupação. Só no início do ano, no estado do Rio de Janeiro, foram registrados 92 casos da doença, sendo 75 confirmados.

A hepatite é uma inflamação aguda no fígado, que pode ser causada por vírus, bactérias ou agentes tóxicos, como o álcool. Existem cinco tipos identificados de hepatite virais. De acordo com o infectologista Edimilson Migowski, presidente do Instituto Vital Brazil e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do ponto de vista clínico, não há muita diferença entre as hepatites A, B e C.

"São vários vírus que podem atacar o fígado de forma primária", explica o especialista, em entrevista à Agência Brasil. Dentre as infecções virais, o que chama atenção na hepatite A é o fato de não evoluir para uma doença crônica, como ocorre com as do tipo B e C.

Apesar disso, o médico adverte que, ainda que tenha uma evolução muito mais branda que as hepatites B e C, a do tipo A acaba sendo a principal vilã, porque pode causar uma inflamação fulminante ou falência aguda do fígado. Migowski afirma que esta doença, eventualmente, pode evoluir para casos em que há comprometimento do fígado e o paciente pode precisar de um transplante.

O agravamento do quadro pode ocorrer, principalmente, em pacientes idosos ou com alguma doença crônica.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas iniciais mais comuns da hepatite A são mal estar, dores no corpo, náuseas, dor abdominal, vômitos, olhos e pele amarelados, urina bem escura e fezes claras. Eventualmente, quando o quadro é bem mais grave, pode ocorrer uma insuficiência hepática, sangramento e até morte, alerta o infectologista.

Segundo o presidente do Instituto Vital Brazil, a hepatite A tem uma evolução em duas fases: primeiro o paciente apresenta um quadro agudo, que dura entre uma e duas semanas. Em seguida, há melhora e depois, uma recaída. A evolução dura de dois a três meses.

Em crianças, no geral, o quadro passa sem sinais e sintomas característicos da doença. "Passam como se fosse uma gripe, mal estar, diarreia, um quadro mais brando", diz o infectologista.

Somente por meio de exames de sangue é possível confirmar qual tipo de vírus está envolvido em determinado quadro infeccioso.

Contaminação

O período de incubação do vírus é de 15 a 50 dias. Ou seja, depois que a pessoa "engoliu" o causador da hepatite A, por meio da água ou de alimentos contaminados, ela deverá manifestar a doença em até 50 dias. "A contaminação se dá, basicamente, pela água ou por alimento contaminado com esgoto. Também pode ser uma transmissão entre pessoas. Às vezes, uma criança contaminada, sem sinais da hepatite, contém o vírus nas fezes. Daí, o adulto, ao manipular ou fazer higiene desta criança, pode se contaminar ou espalhar o vírus para aquela população", explica Edimilson Migowski.

Tratamento

Não existe um tratamento específico para a hepatite A. "Não existe um antiviral que você possa tomar, como tem para gripe e para herpes, por exemplo. Não existe nenhum medicamento que tenha sido comprovado como eficaz no combate à hepatite A, como existe para as hepatites B e C", esclarece o especialista.

Por essa razão, o tratamento é de suporte ao paciente. Ou seja, envolve o uso de analgésicos e remédios para controle de náuseas e vômitos.

Vacinação

Existe vacina para a hepatite A, disponível gratuitamente na rede pública de saúde para crianças entre 1 e 2 anos de idade. "É uma vacina segura, eficaz, e pode ser tomada por qualquer pessoa com mais de um 1 ano de idade, mas, infelizmente, na rede pública, isso só acontece com crianças", explica o médico.

Segundo o presidente do Vital Brazil, a vacina não é cara, mas ele observa que, atualmente, não existe laboratório que consiga produzir e entregar para o país uma quantidade muito grande do insumo. "Existe certa dificuldade na obtenção do produto", comenta.

Na rede privada, é possível encontrar a vacina contra hepatite A inclusive para adultos. "Tem uma vacina combinada de hepatite A e B, o que otimiza o esquema de imunização", afirma o infectologista.

(com Agência Brasil)

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