Estudo mostra que pessoas com transtornos mentais se tornam violentas ao usar maconha

A pesquisa foi realizada no Canadá com pacientes psiquiátricos que usaram constantemente a cannabis

por Correio Braziliense 02/01/2018 13:54

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pexels
(foto: Pexels)
Há milhares de anos a humanidade compartilhada e usufrui dos supostos efeitos medicinais da Cannabis sativa (maconha), especialmente no combate às dores. Recentemente, até o Brasil passou a liberar a importação do princípio ativo da planta, o canabidiol, no tratamento de convulsões e ataques epiléticos. Porém, nem tudo é o que parece em relação à maconha. Estudo mostra que ela podem piorar a agressividade em pacientes com sofrimento mental.

Pesquisadores da Universidade de Montreal e do Instituto Philippe Pinel, do Canadá, investigaram os efeitos da cannabis no comportamento de pacientes de um instituto de saúde mental depois que eles receberam alta. Os psiquiatras Alexandre Dumais e Stéphane Potvin avaliaram 1.136 pessoas, de 18 a 40 anos, que apresentaram algum tipo de transtorno psiquiátrico e que voltaram para a realização de consultas na mesma instituição, no ano seguinte à liberação da internação hospitalar. Os cientistas identificaram aumento das ações violentas entre os que faziam uso contínuo da maconha.

De acordo com Alexandre Dumais, um estudo prévio havia mostrado que, em algumas pessoas, a maconha está associada ao comportamento violento. Agora, o novo trabalho, publicado na revista científica Frontiers in Psychiatry, sugere que entre os usuários que reportaram a continuidade no uso da droga apresentaram risco 144% maior de se envolver em atos violentos, comparado aos demais. "Esse resultado confirma o papel negativo do uso de cannabis em pacientes com doenças mentais. Um dado interessante de nossos resultados é que a associação entre o uso persistente da maconha e a violência é maior do que o de álcool ou cocaína", comenta o pesquisador no artigo associado ao estudo. Ele destaca ainda que essa afirmação se refere a pessoas com transtornos psiquiátricos, e não à população em geral.

Ainda segundo o médico e pesquisador, o uso persistente da cannabis deve ser considerado um indicador de comportamento violento no futuro de pacientes que deixam o hospital psiquiátrico, embora ele explique que essa tendência diminui com o tempo. "Esse decréscimo pode ser explicado por uma adesão maior ao tratamento. O paciente torna-se mais envolvido com o tratamento ao longo do tempo, além da ocorrência de um suporte maior dos amigos e familiares. Embora tenhamos observado que o comportamento violento tendia a diminuir ao longo das sessões de acompanhamento, essa associação continuava estatisticamente significante", observa Duamis.

Prevenção

O pesquisador canadense diz ainda que os resultados do estudo sugerem que não há uma relação recíproca, ou seja, o uso da maconha levou ao comportamento violento futuro, e não o contrário – por exemplo, uma pessoa pode usar cannabis após um episódio violento para reduzir a tensão –, como já se sugeriu no passado. Alexandre Dumais afirma que uma meta-análise recente de estudos de neuroimagem mostrou que os usuários constantes de cannabis apresentam déficits no córtex pré-frontal, uma parte do cérebro que inibe o comportamento impulsivo.

De acordo com o psiquiatra, esse resultado é importante porque oferece informações adicionais para jovens adultos, que podem avaliar riscos da erva antes de decidir se querem ou não utilizá-la. "Eles também servem como uma ferramenta para o desenvolvimento de estratégias que previnam o risco de violência associado à cannabis, já que esses riscos têm importantes consequências tanto socialmente quanto para a saúde de jovens adultos e da sociedade em geral", afirma Dumais.

Últimas notícias

Comentários