Por que os franceses, apesar de comerem muita massa e muito doce, são menos obesos que os brasileiros?

Entenda a diferença entre os hábitos alimentares do Brasil e da França, e como isso pode afetar a saúde da população

por Da redação com assessorias 29/01/2018 12:38

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Apesar de terem uma rica gastronomia e diversas guloseimas de padaria e confeitaria, os franceses não têm um alto índice de obesidade. Saiba porque isso ocorre e, no Brasil, a lógica é outra (foto: Pixabay)
É sabido que a culinária francesa é muito rica e apreciada em todo o mundo. Quando se trata de guloseimas, então, os franceses são quase imbatíveis com as baguetes, os croissants, os macarons, os profiteroles, o crème brûlée, o crepe suzette, entre outras receitas tradicionais e saborosas. O estilo de vida do povo francês é bom exemplo gastronômico para os demais países, incluindo o Brasil. Isso porque, apesar da dieta rica em gorduras saturadas provenientes da panificação e da confeitaria, os franceses apresentam índices de problemas cardiovasculares inferiores aos verificados em outros povos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de obesos na França é de 15,3%, inferior à média verificada na União Europeia (15,9%). No Brasil, este número é de 18.9%, considerando ainda que existem diferenças regionais.

Embora os últimos dados do Ministério da Saúde (Vgitel 2017) indiquem que os brasileiros adquiriram hábitos alimentares mais saudáveis nos últimos anos, consumindo mais fibras, frutas e hortaliças, verifica-se também que a obesidade continua aumentando no país. Como podemos, então, chegar ao índice registrado pelos franceses?

Segundo o antropólogo Raul Lody, a relação que o povo francês guarda com o alimento é peculiar, assim como ocorre com o brasileiro. "Há o mesmo sentimento de nacionalidade na comida e nos valores socioculturais agregados à alimentação, seja em encontros familiares, festas populares e eventos envolvendo panificação, confeitaria e doces", comenta o especialista. Contudo, de acordo com o antropólogo, a mentalidade dos dois povos em relação à comida é diferente por motivos históricos, sociais, econômicos e culturais.

No Brasil, valorizamos a fartura, servindo grandes porções à mesa. Conforme a nutricionista Marcia Daskal, "embora tenhamos alimentos e ingredientes riquíssimos do ponto de vista nutricional, com muitas frutas e vegetais, o brasileiro ainda acha que comer bem é comer muito". Em alguns casos, os alimentos acabam sendo utilizados como formas de compensação, desencadeado a chamada "fome emocional". Ou seja, a pessoa consome mais do que o necessário em busca de uma sensação de conforto.

"Para os franceses, o importante é valorizar e aproveitar o alimento na sua totalidade. Independentemente de qualquer ingrediente específico ou quantidade, todos têm grande expressividade em celebrações sociais ou dentro do cotidiano. Desta forma, estes hábitos alimentares continuam como grandes indicadores de uma dieta consolidada", diz a nutricionista. Portanto, comer moderadamente e sem pressa, mantendo um estilo de vida ativo, é a forma mais saudável que existe na luta contra a obesidade, justamente o contrário do que vem fazendo os brasileiros, que buscam, cada vez mais, dietas "milagrosas" para o controle de peso.

"Ainda que combinações alimentares tradicionais reconhecidamente benéficas, como o arroz com feijão, façam parte da nossa cultura, o brasileiro ainda não valoriza isso e tende a aplicar dietas restritivas e que não trazem benefício algum", esclarece Marcia Daskel.

Para o antropólogo Raul Lody, "as diferentes maneiras com que o brasileiro se relaciona com a alimentação, atrelado aos diferentes estilos de vida, visto que somos um país de dimensões continentais, é um dos fatores que interferem na conquista de hábitos mais saudáveis". Além disso, as porções exercem grande influência nos processos de mudança de hábitos alimentares. "A quantidade e os nutrientes devem ser levados em conta para chegar a um equilíbrio", comenta a nutróloga.

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