Suplemento de fosfoetanolamina é falso, segundo análise da Unicamp

Produto fabricado em Miami é vendido na internet aproveitando a fama da 'pílula do câncer'

por Encontro Digital 04/01/2018 09:50

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Quality Medical Line/Reprodução
Cuidado ao consumir o suplemento Phosphoetanolamine Federico Diaz, pois ele não contém fosfoetanolamina, segundo análise feita na Unicamp, a pedido do jornal Zero Hora (foto: Quality Medical Line/Reprodução)
Quando ganhou popularidade na internet, em 2015, como sendo uma alternativa no tratamento do câncer, a fosfoetanolamina deixou de ser uma pesquisa de 20 anos do professor Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, para se tornar uma esperança para as vítimas dos tumores. O problema é que, mais tarde, pesquisas comprovaram a ineficácia da "pílula do câncer", que, em maio de 2016, teve sua distribuição suspensa no Brasil por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar disso, a empresa Quality Medical Line, sediada em Miami, na Flórida, Estados Unidos, criou um "suplemento alimentar" supostamente à base de fosfoetanolamina e que vem sendo vendido na internet.

O produto é intitulado Phosphoetanolamine Federico Diaz e teria sido criado pelos "cientistas" brasileiros Renato Meneguelo e Marco Vinícius Almeida, que, segundo a empresa americana, seriam ex-colaboradores da pesquisa realizada por Gilberto Chierice na USP. O problema é que a Food and Drugs Administration (FDA), órgão do governo dos EUA responsável pelo controle de alimentos e medicamentos, não reconhece qualquer "benefício" desse "suplemento" para o organismo. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também não autoriza a venda do produto no Brasil como remédio. Sua importação está limitada a indivíduos que queiram o produto como um "suplemento alimentar" – tal qual já ocorre com muitas vitaminas, poliminerais e nutrientes diversos.

Se não bastassem as avaliações negativas das instituições que controlam os medicamentos, o laboratório de Química Orgânica Sintética da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pedido do jornal gaúcho Zero Hora, analisou as cápsulas do Phosphoetanolamine Federico Diaz e descobriu que o suposto suplemento não contém qualquer traço de fosfoetanolamina. "Não tem absolutamente nada de fosfoetanolamina no lote que analisamos", diz o pesquisador Luiz Carlos Dias, em entrevista para o periódico do Rio Grande do Sul.

A avaliação da Unicamp mostra que o produto fabricado em Miami, e que aproveitou a fama da chamada "pílula do câncer", é composto por 96% de ingredientes inertes e 4% de fosfato ácido de monoetanolamina, que é considerada uma molécula tóxica, mas que, pela baixa concentração, não causa prejuízos à saúde.

"A história da fosfoetanolamina envergonha a ciência brasileira", comenta Luiz Carlos Dias. Vale lembrar que no início de 2017, uma pesquisa realiza pelo Instituto do Câncer de São Paulo com 72 pacientes comprovou que a substância criada na USP não possui qualquer ação no combate às células tumorosas. "Neste momento, acho que não há justificativa para se usar rotineiramente esse produto como tratamento de câncer, até que se surjam outras informações. Baseado nestas informações, não há essa justificativa", disse o oncologista Paulo Hoff, diretor do instituto, em entrevista à agência russa de notícias Sputnik, na época da divulgação do resultado.

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