Vacina da febre amarela tem validade? Tire algumas dúvidas sobre o imunizante

Especialista da Fiocruz esclarece alguns boatos que estão circulando sobre a doença

por Marcelo Fraga 22/01/2018 13:40

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
De acordo com o infectologista Akira Homma, ex-presidente da Fiocruz, a dose normal da vacina contra a febre amarela tem, sim, capacidade de imunizar a pessoa para a vida toda (foto: Pixabay)

saiba mais

Além de todas as preocupações típicas do começo de ano, os primeiros dias de 2018 trouxeram também para os brasileiros um grave e velho problema de saúde: a febre amarela. Em apenas 19 dias, a doença já matou 17 pessoas só em Minas Gerais. Outros estados do sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, também já registraram mortes e diversos casos de pessoas infectadas.

Assim como ocorreu em 2017, o novo surto da febre amarela está provocando uma verdadeira corrida da população aos postos de saúde em busca de vacina. Entretanto, ainda existem muitas dúvidas sobre o imunizante e, até mesmo, sobre as formas de transmissão da doença, o que vem gerando uma onda de boatos.

Para esclarecer as principais questões sobre o assunto, a reportagem da Encontro conversou com Akira Homma, especialista em epidemiologia e virologia, assessor científico da unidade produtora de imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – instituição onde são fabricadas as vacinas contra a febre amarela no Brasil. Ele também é membro da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Pessoa que foi vacinada pode ser infectada?

De acordo com Akira Homma, o grau de proteção da vacina contra a febre amarela está entre 95 e 98% , uma taxa considerada "muito boa". "Nenhuma vacina é 100%. Isso porque algumas pessoas podem não produzir anticorpos após serem vacinadas, mas, isto é raro e está relacionado ao organismo de cada um, e não, à vacina", esclarece o médico.

Existe "validade" da vacina? E no caso da dose fracionada?

O especialista da Fiocruz ressalta que as pessoas que tomaram a dose padrão da vacina (0,5 ml) contra a febre amarela, mesmo que tenha sido há muitos anos – como na grande campanha de vacinação de 1999 –, não precisa tomar outra, como sugerem alguns boatos e até mesmo notícias que se espalham na internet. Segundo ele, em 2013, a OMS concluiu, por meio de um estudo, que a dose completa torna a pessoa imunizada por toda a vida. Já a dose fracionada (0,1 ml), que é a que está sendo aplicada atualmente, não possui estudos que atestem sua eficácia vitalícia, segundo Akira Homma.

Ainda conforme o médico, pesquisas recentes indicam oito anos de proteção para o imunizante farcionado, mas, este prazo pode ser maior. Akira esclarece que os estudos sobre a vacina fracionada estão em andamento e, no fututo, podem concluir que também não é necessária uma dose de reforço.

Doses fracionadas de uma vacina são recomendadas pela OMS para os casos de surtos, como o que está ocorrendo no Brasil. Quando isso acontece, geralmente, não há vacina suficiente para imunizar toda a população. Neste caso, o fracionamento faz com que cada dose renda mais, ajudando mais pessoas no menor tempo possível, explica Akira Homma.

A vacina causa alguma reação no organismo?

De acordo com o ex-presidente da Fiocruz, é possível, sim, surgir algum sintoma após a aplicação da vacina. "Todas as vacinas possuem reações adversas. Mas, a maioria das reações causadas pela vacina da febre amarela são brandas, como uma leve dor no local da aplicação. Reações graves são muito raras e têm mais chance de acontecer com os idosos. Por isso, essas pessoas devem consultar um médico antes de se vacinar", alerta.
Pixabay
Vale a pena ressaltar que os macacos são vítimas da febre amarela e servem de sentinela para avisar sobre o aparecimento da doença. Portanto, eles são vítimas, assim como os humanos (foto: Pixabay)

Aedes aegypti transmite a febre amarela?

O temido mosquito transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya é capaz de transmitir também a febre amarela. Mas, neste caso, não tem nada a ver com o atual surto no Brasil.

Akira Homma lembra que a febre amarela que está afetando o Brasil é do tipo silvestre. De acordo com ele, esta modalidade da doença é exclusiva de áreas de mata ou rurais, nas quais os pernilongos responsáveis pela transmissão são outros: os dos gêneros Haemagogus e Sabethes – possuem hábitos diferentes do Aedes aegypti e vivem, geralmente, nas copas das árvores.

Por isso, todas as pessoas infectadas, até agora, moram ou visitaram locais onde existem florestas. Isto explica, também, o grande número de mortes de macacos nessas áreas – os primatas são os principais indicadores da presença da febre amarela.

Já a doença nas áreas urbanas não registra casos no Brasil desde o início dos anos 1960. Ou seja, este tipo de propagação da febre amarela é considerada erradicada no país. Logo, segundo Akira Homma, não há motivo para pânico entre as pessoas que moram em regiões afastadas das matas e que não pretendem visitar, nem visitaram, estes locais, recentemente.

Prevenção e luta contra o Aedes

No entanto, o especialista alerta que é importante que a população se vacine e que não descuide das recomendações dos órgãos de saúde para evitar a procriação do Aedes aegypti. Isso porque o "mosquito da dengue" pode picar uma pessoa infectada pela febre amarela e transmitir a doença para outra, que ainda não foi vacinada.

"Isso pode ocorrer quando a pessoa infectada é picada na fase virêmica da febre amarela, ou seja, enquanto o vírus ainda está se multiplicando em seu organismo", esclarece Akira Homma.

Últimas notícias

Comentários