Especialista fala sobre os clubes que foram contra o uso de árbitro de vídeo no Brasileirão

'Ninguém pode ter a cara-de-pau de reclamar', diz o comentarista Lélio Gustavo, sobre América, Atlético-MG e Cruzeiro, que votaram contra a proposta da CBF

por Vinícius Andrade 06/02/2018 17:40

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Fifa.com/Reprodução
O árbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês) foi criado pela Fifa para evitar possíveis erros da arbitragem durante partidas oficiais de futebol (foto: Fifa.com/Reprodução)
A bola entrou toda? O jogador estava impedido ou não? Foi pênalti? Assim como nos anos anteriores, o Campeonato Brasileiro de 2018 promete ser recheado de lances polêmicos. O problema é que os clubes tiveram a oportunidade de amenizar essas dúvidas, mas, por motivos econômicos, foram contra o uso do chamado "árbitro de vídeo" (VAR, na sigla em inglês) na principal competição nacional.

A decisão foi tomada durante a reunião do conselho técnico do Brasileirão, realizada na segunda-feira, dia 5 de fevereiro, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro. O placar foi de 12 a sete contra o VAR, além de uma abstenção.

A CBF propôs que os clubes pagassem pela implementação da tecnologia, que pode ser acionada pelo árbitro durante o jogo, para esclarecer dúvidas sobre lances capitais, como gol, pênalti, aplicação de cartão vermelho e impedimento. O custo estimado para os 380 jogos da Série A do Campeonato Brasileiro seria de R$ 20 milhões (entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por cada partida).

Para os clubes, o investimento seria de aproximadamente R$ 1 milhão para o campeonato inteiro. Mas, na proposta da CBF, o VAR valeria apenas para o returno da competição. Na Copa do Brasil, no entanto, haverá árbitro de vídeo a partir das quartas-de-final, com todo o custo bancado pela confederação.

Na opinião do comentarista Lélio Gustavo, da rádio 98FM, a decisão dos clubes em vetar a tecnologia é retrógrada. "Seria possível diminuir as dúvidas durante a partida, mas, perderam essa chance. É uma economia que chega a ser 'porca'. Foi uma grande oportunidade desperdiçada, de ter a tecnologia e a modernidade em favor do futebol", lamenta o jornalista.

Para Lélio Gustavo, a CBF poderia arcar com os custos do árbitro de vídeo, mas, ainda assim, ele critica a passividade dos clubes. "A CBF ganha mais dinheiro do que qualquer clube do Brasil. Por outro lado, seria uma oportunidade para os clubes começarem a gerir o Campeonato Brasileiro. Eles sempre vão 'empurrando com a barriga' e deixam a CBF mandar", ressalta o comentarista.

Problema resolvido?

Mesmo com o recurso do árbitro de vídeo, Lélio Gustavo é enfático ao dizer que nem todos os problemas que ocorrem no campo seriam resolvidos. Ainda assim, segundo ele, os erros poderiam ser minimizados. "A probabilidade seria muito menor de o árbitro errar em um jogo decisivo", comenta o jornalista.

Sem direito de reclamar

Atlético, Cruzeiro e América estão entre os 12 clubes que votaram contra o VAR. Para Lélio, a partir de agora, os times mineiros não terão "credibilidade" para reclamarem da arbitragem durante o campeonato. "Ninguém pode ter a 'cara-de-pau' de reclamar, porque tiveram a 'faca e o queijo' nas mãos para mudarem o rumo e não o fizeram. Sem choradeira, sem falar de arbitragem, por favor", enfatiza o comentarista da 98FM.

Veja como votaram os clubes durante a reunião sobre a implantação do VAR no Brasileirão 2018:

  • Em favor: Flamengo, Botafogo, Bahia, Chapecoense, Palmeiras, Grêmio e Internacional

  • Contra: Corinthians, Santos, América-MG, Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético-PR, Paraná, Vasco, Fluminense, Sport, Vitória e Ceará

  • Não votou: São Paulo (o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, foi embora antes da votação)

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