Sabia que existe um 'dicionário' da linguagem belo-horizontina?

Termos como garrado, copo sujo e manota são alguns exemplos do palavreado regional de Belo Horizonte

por Marcelo Fraga 20/02/2018 09:59

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Bh-airport.com.br/Reprodução
Recém lançado, o "dicionário" de termos belo-horizontinos traz palavras curiosas, comuns na capital mineira, para ajudar os turistas a se adaptarem à população local (foto: Bh-airport.com.br/Reprodução)
Quem viaja para outros países e não é fluente no idioma local, geralmente, carrega consigo um dicionário para ajudar na comunicação. Mas, você já imaginou precisar disso ao fazer uma viagem dentro do próprio país? Em Belo Horizonte, quem desembarca no aeroporto internacional Tancredo Neves (Confins), mesmo não sendo estrangeiro, recebe um guia com o significado de palavras que só existem no vocabulário típico do belo-horizontino.

A inusitada publicação é uma iniciativa da BH Airport, empresa que administra o aeroporto, e foi batizada de Dicionário Popular da Língua Belo-Horizontina. Lançado em comemoração aos 120 anos da capital mineira, completados em dezembro de 2017, o dicionário traz 20 termos falados genuinamente pelos moradores da cidade ou que possuem, em BH, um significado diferente de outras cidades brasileiras.

O lançamento ocorreu em janeiro, na Academia Mineira de Letras, e teve a presença do reconhecido professor de língua portuguesa Pasquale Cipro Neto. Em entrevista à Encontro, o especialista falou sobre a importância do regionalismo em nosso idioma. "Quem não conhece o famoso 'uai' do mineiro? Quando passamos a conhecer palavras que são faladas em um local específico, isso, certamente, enriquece o nosso vocabulário", comenta o professor. "A nossa manifestação linguística é assim e quando isso é posto em evidência, ajuda a desmistificar a ideia ruim da língua única", completa Pasquale.

Entretanto, apesar da fama do "uai", ele diz que expressões regionais dificilmente são conhecidas em outros locais. "Eu, por exemplo, como paulista, não conheço os regionalismos do Pará. O mesmo ocorre com os gaúchos que não conhecem termos amazonenses ou piauienses, e vice-versa", esclarece Pasquale Neto.

O professor explica ainda que variações do idioma existem em todo o mundo, não só em países com dimensões continentais, como o Brasil. Exemplo disso, de acordo com ele, é a Itália, que é do tamanho do estado de São Paulo, mas o italiano falado no sul varia bastante do que é falado no norte do país europeu.

Mineirês

Questionado sobre as características da variação da língua portuguesa que é falada em Minas Gerais, Pasquale Cipro Neto cita o uso do diminutivo e a eliminação de vogais como principais "marcas" do mineirês. "O que seria bocadinho, vira bocadim, pouquim. Essa é a gramática do linguajar do mineiro".

A ausência de pronomes reflexivos (aqueles que indicam que o sujeito pratica uma ação verbal sobre si mesmo) é outra característica mineira citada pelo professor. "O mineirês diz 'ela apaixonou' e no português padrão seria 'ela se apaixonou'".

Conheça, abaixo, alguns termos do Dicionário Popular da Língua Belo-Horizontina e seus significados:

  • Bololô: confusão, desordem, tumulto

  • Garrado: o mesmo que confirmar presença em algum evento ou local

  • Lambiscar: provar, experimentar, comer sem se satisfazer

  • Manota: vacilo, mancada, ato falho

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