Células de gordura podem reduzir eficácia da quimioterapia, diz estudo

A pesquisa americana descobriu que o remédio usado contra a leucemia perde efeito na presença de células adiposas

por Da redação com assessorias 01/02/2018 15:47

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(foto: Pixabay)
Segundo uma pesquisa publicada no periódico científico Molecular Cancer Research, pertencente à Associação Americana para Pesquisas do Câncer, as células de gordura podem afetar o desempenho de quimioterapias voltadas ao tratamento de leucemias. "Esta pesquisa demonstrou que células adiposas metabolizam o agente quimioterápico daunorrubicina, o que reduz a capacidade da droga em eliminar células cancerosas no sangue. Vale lembrar que as antraciclinas, grupo ao qual pertence a daunorrubicina, são importantes para o tratamento de diversos outros tipos de câncer em crianças e adultos, além da leucemia", explica o oncologista Auro Del Giglio, do Hospital do Coração, em São Paulo.

O estudo americano foi realizado com células adiposas cultivadas in vitro, juntamente com células leucêmicas. A partir disto, os cientistas desconbriram que a "farmacocinética" da quimioterapia é afetada pelas células gordurosas, que absorvem a droga quimioterápica, dificultando o seu trabalho de "matar" o câncer. "Diversas pesquisas têm demonstrado que a obesidade está associada à redução do desempenho do tratamento de vários tipos de câncer, como o de mama, cólon, ovário e próstata. Porém, essa é a primeira vez que se estabelece uma relação direta entre adipócitos [células de gordura] e agentes quimioterápicos específicos", comenta o médico.

A pesquisa foi chefiada por Steven Mittelman, professor associado do Hospital Infantil Mattel, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos Estados Unidos. A ideia original era verificar como a obesidade poderia alterar a eficácia da daunorrubicina. A substância foi usada em células de leucemia linfoblástica aguda humana que estavam cultivadas junto a adipócitos. "Também estudaram se o tecido adiposo humano de pacientes com câncer poderia metabolizar a daunorrubicina", completa Del Giglio.

Os resultados do estudo indicam a necessidade de pesquisas futuras para determinar se as células de gordura têm um efeito semelhante em quimioterapias diferentes da comumente utilizada em casos de leucemia. E, caso tenham, qual seria a sua relevância durante o tratamento dos tipos de câncer, aos quais têm sido aplicadas. "Segundo os próprios autores, a maior limitação do estudo é que ainda não se pôde medir a concentração exata de daunorrubicina nas células de leucemia pesquisadas. Porém, médicos americanos que têm comentado o estudo acreditam que, com um entendimento mais detalhado dos processos identificados pela pesquisa, seria possível utilizar agentes quimioterápicos mais resistentes às enzimas das células de gordura, o que poderia dar origem a tratamentos mais efetivos no futuro", conclui o oncologista.

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