Pesquisa da UFMG descobre três espécies de tamanduaí

Os animais vivem em árvores da região amazônica

por Encontro Digital 20/02/2018 13:24

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Acervo Pessoal/Boletim da UFMG/Reprodução
O tamanduaí, apesar de ser "parente" do tamanduá, é bem menor e vive nas árvores, alimentando-se de formigas (foto: Acervo Pessoal/Boletim da UFMG/Reprodução)
Estudo feito pela UFMG e publicado no periódico científico Zoological Journal of the Linnean Society, apresenta três novas espécies de tamanduaí, tipo raro de tamanduá, com cerca de 50 cm de comprimento, e que vivem em árvores da Mata Atlântica e da Amazônia brasileira. A pesquisa também eleva à categoria de espécie três subespécies de tamanduaí.

A descoberta é fruto da pesquisa de doutorado da veterinária Flávia Miranda, que foi orientada pelo professor Fabrício Santos, do departamento de Zoologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG. A investigação teve início em 2007, no âmbito da ONG Projeto Tamanduá.

Os estudos foram realizados ao longo de 10 anos, em 19 expedições à procura de amostras de sangue do Cyclopes didactylus, única espécie até então conhecida de tamanduaí, que vive no norte da Amazônia, entre as Guianas e o Maranhão, e na região da Mata Atlântica, no nordeste do Brasil.

"Queríamos saber se as espécies encontradas na Amazônia eram as mesmas que habitavam a região da Mata Atlântica, mas, encontramos três espécies até então desconhecidas. Além disso, por meio de análises, conseguimos reclassificar alguns animais, elevando outras três subespécies à categoria de espécie", comenta Flávia Miranda.

A pesquisa foi realizada em várias etapas. Amostras de sangue dos animais foram submetidas à análise de DNA no Laboratório de Genética do ICB. Foi desenvolvido também um extenso estudo morfológico, que buscava observar características físicas dos animais. "Comparamos cerca de 300 animais guardados em coleções de diversos museus espalhados pelo mundo. Observamos a coloração do dorso, membros anteriores e posteriores, a coloração da cauda e o tamanho e formato do crânio. Encontramos cerca de 10 características morfológicas que, aliadas às características genéticas verificadas em laboratório, possibilitaram a descrição das novas espécies", afirma a veterinária.

Mais proteção

As três espécies descritas são a Cyclopes xinguensis, encontrada próximo à região do rio Xingu, na Amazônia; a Cyclopes rufus, presente na região de Rondônia e nomeada assim devido à sua cor avermelhada; e a Cyclopes thomasi, que vive na margem direita do rio Amazonas, entre o estado do Acre e o Peru. O nome desta última espécie homenageia Michael Rogers Oldfield Thomas, famoso zoólogo britânico.

As três subespécies elevadas à categoria de espécie são a Cyclopes ida, cuja presença está restrita ao norte do rio Amazonas e à margem direita do rio Negro; a Cyclopes dorsalis, que habita florestas da América Central, do México, da Colômbia e do Equador; e a Cyclopes catellus, restrita ao sopé dos Andes, na Bolívia.

Flávia Miranda afirma que os esforços de conservação beneficiavam a única espécie de tamanduaí então conhecida, a Cyclopes didactylus. Agora, a proteção poderá se estender aos novos animais descritos. "Já conversamos com o governo brasileiro e com as organizações internacionais de conservação da natureza, pleiteando que seja iniciado um processo de pesquisa que nos mostre o status de ameaça a essas novas espécies. Precisamos investigar a distribuição geográfica desses tamanduaís, coletar mais material para análise e elaborar estratégias de conservação para aqueles que estejam ameaçados", diz a doutoranda da UFMG.

Os tamanduás brasileiros

Até o início da pesquisa, eram reconhecidas apenas três espécies de tamanduás no Brasil: bandeira, mirim e tamanduaí. Todos os tamanduás pertencem ao grupo dos Xenarthra, que inclui outros mamíferos como os tatus e o bicho-preguiça.

O tamanduaí é um mamífero pequeno, de hábitos noturnos, que vive nas copas das árvores e se alimenta de formigas. Com a conclusão do estudo realizado pelo grupo de pesquisadores brasileiros, agora estão descritas sete espécies de tamanduaís. Por enquanto, as novas espécies receberam apenas nomes científicos.

(com Boletim da UFMG)

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