Pesquisador da UFMG descobre o maior vírus já identificado no planeta

Chamado de tupanvírus, ele possui uma estrutura genética diferenciada

por Encontro Digital 28/02/2018 10:49

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Jônatas Santos Abrahão/Divulgação
O tupanvírus foi descoberto no Pantanal brasileiro e é o maior vírus já identificado no planeta, com 2,3 micrômetros de tamanho (foto: Jônatas Santos Abrahão/Divulgação)
Um vírus gigante foi descoberto em lagoas salinas da região do Pantanal, no Brasil, e nas profundezas do oceano, por pesquisadores liderados por Jônatas Santos Abrahão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com pesquisadores da Universidade Aix Marseille, da França. Chamado de tupanvírus, ele é considerado o mais longo vírus do planeta, podendo chegar a 2,3 micrômetros (milésima parte do milímetro), e também possui um genoma singular: seu conjunto completo de genes permite expressar suas próprias proteínas com grande autonomia em relação às células do hospedeiro.

A descoberta será publicada na próxima edição do periódico científico Nature Communications.

O vírus encontrado no Pantanal e no oceano são diferentes, porém, compartilham características essenciais, como uma cauda muito comprida associada à parte principal da estrutura, algo que nunca antes tinha sido identificado em um vírus gigante. "Além disso, cerca de 1/3 do genoma do tupan não se parece com nada já descrito, é um grande mistério. Todos querem saber de onde ele veio e o que originou depois", comenta Jônatas Abrahão.

Conforme o cientista, esse vírus possui um maquinário genético muito interessante. "Nosso próximo passo seria manipular geneticamente o genoma desse vírus para poder produzir proteínas de interesse humano. O próximo alvo vai ser a proteína do envelope de dengue, porque a gente já fez isso com outros vírus gigantes, mas acreditamos que, com o tupan, a expressão dessa proteína pode ser melhorada", explica o pesquisador.

Esse tipo de micro-organismo gigante foi descoberto originalmente em 2003, na França, e muitos vírus gigantes são maiores que bactérias e fungos. Há pesquisadores que colocam esse tipo de organismo como um ramo alternativo da vida, sendo alvo de intenso debate na pesquisa em evolução e virologia. "Para se ter uma ideia, se a gente comparar um vírus convencional com um vírus gigante, em relação ao tamanho da partícula, seria o mesmo que comparar um ser humano com um diplodocus, que é um dos maiores dinossauros já descobertos", exemplifica o pesquisador da UFMG.

Além do tupan, o grupo de pesquisadores também descobriu o "samba vírus", que veio da Amazônia Brasileira, e o vírus "rio negro", que não é gigante, mas é um virófago, ou seja, um micro-organismo capaz de parasitar um vírus gigante.

A expectativa do grupo francobrasileiro é tornar possível, em médio ou longo prazo, o desenvolvimento de testes e diagnósticos mais eficazes para doenças com a dengue, a partir da produção de proteínas em vírus gigantes em um modelo mais próximo da proteína original do envelope do vírus da dengue que circula no corpo de quem está com a doença.

(com assessoria de imprensa da Fapemig)

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