Polônia causa mal-estar internacional com lei que 'apaga' holocausto judeu no país

A nova legislação prevê punição para quem associar a Polônia aos crimes cometidos pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial

por João Paulo Martins 09/02/2018 16:39

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O governo da Polônia quer proibir as pessoas de associar o país aos crimes cometidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo os vários campos poloneses de extermínio (foto: CNN.com/Reprodução)
Uma decisão do Senado da Polônia está causando mal-estar em todo o mundo, especialmente em Israel. Os senadores poloneses aprovaram, na noite do dia 1º de fevereiro, uma lei relacionada ao holocausto dos judeus, cometido pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial, Conforme a nova legislação, qualquer pessoa que atribua ao país ou a seu povo a culpa pelos crimes de guerra cometidos pelos nazistas no território polonês será punida. A informação foi divulgada pela rádio alemã Deutsche Welle.

A lei aprovada na Polônia prevê até três anos de prisão ou multa para quem for pego usando a expressão "campos de extermínio poloneses". Neste caso, é uma referência aos diversos campos de concentração e de extermínios que foram instalados nesse país pelo Terceiro Reich, comandado por Adolf Hitler, durante a guerra, entre 1940 e 1943. Destaque para os seguintes campos: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibór, Treblinka e Varsóvia. Somente nestes locais morreram cerca de 2,7 milhões de judeus.

Para entrar em vigor, o texto aprovado pelos senadores poloneses ainda precisa ser sancionado pelo presidente Andrzej Duda, que governa o país desde 2015.

A regra polêmica tem o apoio do governo polonês, e seria uam forma de "defender a imagem do país". Porém, segundo a Deutsche Welle, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, logo se pronunciou sobre o tema, acusando Varsóvia de "querer reescrever a história". O ministro israelense da Inteligência e Transportes, Israel Katz, também criticou o posicionamento da Polônia, afirmando que ela estaria querendo "apagar sua própria responsabilidade" no Holocausto.

A notícia também não foi bem recebida nos Estados Unidos, principal aliado de Israel e que teve mais de 418 mil mortos durante o conflito mundial. "Expressões como 'campos de extermínio poloneses' são imprecisas, suscetíveis de induzir a erros e causar feridas, mas, receamos que se promulgada, a legislação afete a liberdade de expressão e o debate histórico", coemnta Heather Nauert, porta-voz do departamento de estado dos EUA, citada pela Deutsche Welle.

Todos que estão criticando a nova lei polonesa alertam que ela pode permitir ao governo negar casos em que a cumplicidade polonesa com os nazistas em muitos crimes de guerra, e que já foi provada, possa deixar de ser reconhecida pelos próprios poloneses.

Um exemplo dessa cumplicidade se deu no famoso massacre de 300 judeus pela população cristã-polonesa na cidade de Jedwabne, que fica no leste do país, e que ocorreu em 10 de julho de 1941.

(com portal da Deutsche Welle)

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