Remédio usado para tratar hepatite C pode combater o zika vírus

Estudo feito por brasileiros comprovou o benefício do Sofosbuvir contra a doença, que é um risco para mulheres grávidas

por Da redação com assessorias 15/02/2018 08:08

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Wikimedia/ Creative Commons/Reprodução
O tratamento com Sofosbuvir pode evitar complicações da zika, como a microcefalia (esq.), que atinge os bebês de mães infectadas pela doença (foto: Wikimedia/ Creative Commons/Reprodução)
Em meio às chuvas e ao calor, a poulação brasileira enfrenta a proliferação de mosquitos, incluindo o Aedes aegypti, transmissor de inúmeras doenças, como a zika, que não tem cura. Se infectar mulheres grávidas, este vírus pode afetar os bebês ainda no útero, causando deformidades neurológicas, como a microcefalia. No entanto, uma nova descoberta científica pode mudar este cenário: um medicamento já usado no tratamento da hepatite C pode ser eficaz para combater também pessoas afetadas pelo zika vírus, incluindo gestantes. O remédio intitulado Sofosbuvir, que é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) – agência regulatória de medicamentos e alimento snos Estados Unidos –, apresentou resultados positivos contra a zika em laboratório, e os ensaios clínicos devem começar ainda este ano no Equador. O trabalho, realizado pela startup de biotecnologia Tismoo, foi publicado em janeiro no site da revista científica Scientific Reports, do grupo Nature.

A descoberta de um tratamento efetivo para a zika, além de ser extremamente útil para as grávidas, também irá ajudar pessoas debilitadas que estejam infectadas e correm o risco de apresentar outras complicações, como a Síndrome de Guillain-Barré (doença que faz com que o sistema imunológico do corpo ataque os próprios nervos, causando danos ao sistema nervoso).

O estudo foi coordenado pelo biólogo molecular Alysson R. Muotri, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, nos EUA, com participação de Patrícia Beltrão Braga, professora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Eles testaram o Sofosbuvir utilizando uma tecnologia inovadora chamada Brain Model Technology (BMT), capaz de reproduzir, in vitro, o desenvolvimento embrionário humano por meio de células-tronco – são os chamados minicérebros.

"Camundongos infectados pela zika, tratados com o medicamento, conseguiram eliminar o vírus do organismo, apresentando níveis indetectáveis em diversos tecidos do corpo, incluindo o cérebro", comemora Alysson Muotri.

Além disso, o estudo ainda descobriu ser capaz de curar as grávidas que foram infectadas pela zika. Testando o mesmo remédio em fêmeas grávidas, o medicamento funcionou muito bem – fazendo com que todos os filhotes nascessem sem o vírus –, bloqueando completamente a transmissão de mãe para filho. Também não foi observada nenhuma toxicidade da droga, nem para os filhotes, nem para as fêmeas. "Mães infectadas podem continuar contaminando seus filhos através do leite materno. É possível também que mesmo bebês sem microcefalia que nasceram de mães infectadas, possam ainda ter o vírus circulante no organismo. Essas crianças podem se beneficiar desse tratamento", comenta o professor da Universidade da Califórnia.

A partir de agora, são necessárias algumas etapas da pesquisa para garantir o resultado contra a doença e os efeitos do tratamento em humanos. Outra boa notícia é que o medicamento, que é produzido pela Gilead (Sovaldi), pode vir a ter uma versão genérica, de baixo custo. Alysson Muotri adianta que está preparando os ensaios clínicos no Equador, onde um novo surto de zika emergiu recentemente e está preocupando as autoridades do país sulamericano.

Últimas notícias

Comentários