Rua da Bahia reserva inúmeros prédios tombados de Belo Horizonte

O local era a principal via de ligação entre a Praça da Estação e o Palácio da Liberdade nos anos 1920

por Encontro Digital 02/02/2018 13:48

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Flickr/PBH/Adão de Souza/Reprodução
O prédio da rua da Bahia que abriga o colégio Minas Gerais e a drogaria Araújo já foi a sede da Academia Mineira de Letras e é uma das mais charmosas edificações históricas de BH (foto: Flickr/PBH/Adão de Souza/Reprodução)
Quem passa pela rua da Bahia, no centro de Belo Horizonte, em meio à grande movimentação de pessoas e veículos, pode vislumbrar a boemia típica do local que, nos anos 1920, era a principal via de ligação entre a Praça da Estação e o Palácio da Liberdade. O caminho, narrado por escritores como Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, por onde circulavam personalidades culturais e políticas, como os poetas Alberto de Oliveira, em 1908; Rui Barbosa, em 1910; e Olavo Bilac, em 1916; guarda a história da capital mineira em prédios tombados pelo patrimônio histórico do município.

O prédio da livraria Francisco Alves, por exemplo, é tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG). Pintado nas cores cinza e branco, de varandas com grades de metal atualmente abriga também um restaurante, uma loja de sapatos e uma ótica.

Dos estabelecimentos situados na antiga livraria, o que concentra o maior número de referências ao passado é a Óptica Metrópole. O local se relaciona intimamente com o passado, contando a história de Belo Horizonte em fotos distribuídas pelas paredes. Um quadro com o Mineirinho, a Serra do Curral e do Viaduto Santa Tereza ilustra o espaço.

Edifício Cláudio Manuel

Também tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal e pelo Iepha-MG, o hotel Metrópole, situado no edifício Cláudio Manoel, na esquina entre as ruas da Bahia e Goiás, divide espaço com outros prédios comerciais. Instalado no local desde a década de 1930 e concebido peloa rquiteto Romeo de Paoli, o prédio teve hóspedes ilustres como o compositor mineiro Rômulo Paes, dono da frase famosa: "Minha vida é esta, subir Bahia e descer Floresta", que figura num placa de ferro instalada nas proximidades.

Atualmente com fachada em tons pastéis, o prédio exibe, em seus corredores, um acervo de fotos históricas de BH da década de 1950, originárias do Arquivo Público Mineiro. Internamente, alguns detalhes originais da época, como as pastilhas coloridas no chão, o piso em peroba rosa, o revestimento em mármore preto e rosa e o corrimão em latão, são admirados pelos visitantes. Além da fachada, também foi tombada pelo Iepha-MG a pérgula, uma parte superior aberta, com vista para as frondosas árvores da rua Goiás.

O edifício traz referências em art decó, estilo presente também no prédio da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o colégio Santo Agostinho, os prédios Chagas Dória e Acaiaca.
Flickr/PBH/Arquivo Publico Municipal/Reprodução
A rua da Bahia, nos anos 1920, era a principal ligação entre a Praça da Estação e o Palácio da Liberdade (foto: Flickr/PBH/Arquivo Publico Municipal/Reprodução)

Armazém Central

Na esquina com avenida Augusto de Lima, percebe-se um prédio histórico, também tombado, em cinza e laranja, com detalhes em mármore. É o prédio do colégio Minas Gerais, que fica em cima da drogaria Araújo, espaço que já abrigou a Academia Mineira de Letras. A edificação exibe a foto histórica de seu antigo funcionamento, o Armazém Central. A viga interna do interior guarda surpresas como alguns comerciais antigos da drogaria e até uma receita do escritor e médico João Guimarães Rosa.

A cultura da região, famosa pela boemia de ontem e de hoje, leva nosso olhar a admirar a rua da Bahia depois de cruzar com a avenida Augusto de Lima. Tombados, temos o atual prédio da Polícia Militar, antigo Cine Guarani, e o Museu Inimá de Paula, antigo Clube Belo Horizonte.

O historiador Ismael Krishna de Andrade Neiva, técnico da Diretoria de Patrimônio Cultural e Arquivo Público da PBH, defende a importância de se conhecer o passado de Belo Horizonte. "É importante que as pessoas conheçam a cidade, sua história, seu traçado, seus símbolos. Conhecer essas particularidades nos faz sentir mais acolhidos, pertencentes a um grupo social, à uma comunidade. Temos sentimentos de afeto, lembranças de cheiros, lugares, atividades, amores, todos tendo a cidade como elemento principal ou pano de fundo. Conhecer a cidade e preservar algumas de suas características nos faz sentir bem, confortáveis e importantes, no meio a um mundo cada dia mais impessoal e dinâmico", afirma o especialista.

(com portal da PBH)

Últimas notícias

Comentários