Uso inadequado da melatonina pode até reduzir a expectativa de vida

Especialista alerta para o consumo desenfreado do 'hormônio do sono'

por Vinícius Andrade 22/02/2018 08:01

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
O médico alerta para o uso errado do hormônio melatonina, que ajuda na regulação do sono, pois podem surgir efeitos colaterais perigosos (foto: Pixabay)
Não é preciso muito esforço para adquirir cápsulas de melatonina. O composto não é registrado como medicamento e por isso não está sob controle da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, algumas importadoras conseguiram liminar para que a substância seja comercializada em farmácias de manipulação, sem a necessidade de prescrição médica. O uso indiscriminado desse hormônio, que o corpo libera ao anoitecer, para favorecer o sono, no entanto, pode desorganizar o organismo e levar a consequências mais graves, como depressão e até redução da expectativa de vida.

A melatonina é produzida pela glândula pineal, situada na parte central do cérebro, e tem grande participação numa boa noite de sono. Afinal, a função básica dela é regular os ritmos do nosso corpo, chamado de relógio biológico. Por conta disso, algumas pessoas que sofrem de insônia acreditam que as cápsulas de melatonina podem resolver a falta de noites bem dormidas. Mas, segundo o professor de fisiologia José Cipolla Neto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, nem todos os distúrbios do sono são solucionados pela substância, que pode causar prejuízos se for utilizada de forma inadequada.

"Existe a concepção de que a melatonina é inócua, apenas um suplemento alimentar. Isso não é verdade, ela é um hormônio. As pessoas não podem se automedicar com melatonina. Um médico precisa prescrevê-la desde que haja necessidade, senão, há efeitos colaterais", alerta o especialista, em entrevista para a Rádio USP.

Além disso, José Cipolla reforça que o hormônio é produzido exclusivamente à noite, portanto, a administração adequada da substância deve ser feita neste período, caso contrário, pode haver algumas reações como resistência insulínica, intolerância à glicose, hipotensão, hipotermia, desbalanço enérgico e desorganização do organismo. "Se esses sintomas aparecerem em um dia não tem tanta importância, mas se repetirem dia após dia, leva a uma redução da expectativa de vida", esclarece o professor da USP.

Quando utilizar?

A primeira regra, segundo o fisiologista, é nunca usar a melatonina sem prescrição médica. Porém, ele cita algumas situações em que o hormônio pode ser indicado. Um exemplo é para o distúrbio chamado atraso das fases do sono, quando o relógio biológico da pessoa não consegue entrar em sincronia com o ambiente externo. "Se a pessoa administrar melatonina de forma adequada, no horário correto e na dosagem certa, ela consegue adiantar esse sono e se ajustar fisiologicamente", afirma José Cipolla.

Outra circunstância em que o produto pode ser indicado é para idosos que sofrem de distúrbios do sono. Pessoas nessa faixa etária, geralmente, têm uma redução considerável na produção de melatonina, comprometendo algumas atividades funcionais, que podem ser minimizadas com o uso adequado do suplemento.

Uma terceira situação é direcionada para a população cega de nascença que não consegue sincronizar seus ritmos circadianos à diferença entre dia e noite. Com isso, o sono não consegue ser ajustado, mas pode ser corrigido com a administração correta de melatonina.

(com Rádio USP)

Últimas notícias

Comentários