Vacina contra malária apresenta bons resultados em teste de laboratório

Cientistas querem impedir a infecção causada pelo Plasmodium vivax, que é comum nas Américas

por Encontro Digital 28/02/2018 12:45

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A vacina contra a malária que está sendo desenvolvida no Brasil tem como alvo o Plasmodium vivax, principal causador da malária nas Américas, e que é transmitido pela picada de mosquito (foto: Pixabay)
Uma boa notícia em relação às doenças que afligem o Brasil: uma nova vacina contra a malária vivax – principal forma desta efermidade – foi testada em camundongos e obteve 45% de eficácia, o que representa um importante avanço no desenvolvimento de alternativas de prevenção. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2015, parasitas da espécie Plasmodium vivax foram responsáveis por mais de 13 milhões de casos de malária em todo o mundo e ainda não há um imunizante disponível contra esse micro-organismo.

A estratégia da nova vacina se baseia em desenvolver versões recombinantes de proteínas encontradas no esporozoíto – forma do parasita presente na glândula salivar do mosquito transmissor e que infecta o ser humano. A proteína em questão é homóloga à que está sendo usada em outra vacina em estágio mais avançado contra o Plasmodium falciparum, o parasita de malária mais comum no continente africano.

"Com base no sucesso dessa proteína de P. falciparum, pensamos em tentar algo parecido contra o parasita que acomete as Américas. Vê-se que na África a proteção também não é alta, de 30% a 40%, mas tem diminuído as formas graves da malária falciparum e atrasado o primeiro episódio de malária em crianças, reduzindo a mortalidade infantil", comenta Irene Soares, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) e coautora do estudo que foi publicado na revista científica Frontiers in Immunology.

A iniciativa de desenvolver uma vacina contra o P. vivax partiu de um grupo de pesquisadores do Centro de Terapia Celular e Molecular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da USP. O projeto é apoiado pela Fapesp e conta com a colaboração de uma equipe internacional, com pesquisadores do Instituto Pasteur (França) e da Agency for Science Technology and Research (Singapura), entre outros.

O P. vivax tem particularidades que dificultam o desenvolvimento de vacinas. Diferentemente do parasita mais comum do continente africano, a proteína-alvo do P. vivax tem três variantes na natureza. Trabalhos prévios realizados nas décadas de 1990 e 2000 mostraram que as três variantes circulam pelo Brasil, com prevalência do tipo VK210.

Parasitas dormentes

Um dos grandes desafios da nova vacina é conseguir combater também os parasitas que, passada a fase aguda, permanecem no fígado na forma dormente e podem desencadear outro episódio da doença meses depois de o paciente ser infectado. Essa é outra particularidade do P. vivax.

"Quando o mosquito pica, uma parte dos parasitas inoculados adquire uma forma dormente [hipnozoíto] no fígado, enquanto a outra parte vai causar a doença. Portanto, quando os patógenos no sangue são tratados, aqueles que estão 'dormindo' continuam prontos para atacar novamente. O remédio pode funcionar no primeiro momento, mas, depois de alguns meses, o parasita pode ‘acordar’ e voltar à circulação sanguínea, causando recaída", esclarece Rogerio Amino, pesquisador brasileiro do Instituto Pasteur e coautor do estudo.

O pesquisador afirma que seria interessante se houvesse uma vacina que diminuísse significativamente o número de hipnozoítos, ainda que não fosse 100% eficaz contra a infecção original. "A vacina que está sendo desenvolvida contra o P. vivax tem uma boa eficácia, mas ainda não foi testado se pode ou não diminuir as recaídas. Se ela funcionar também contra os hipnozoítos será um grande avanço", completa o cientista.

(com Agência Fapesp)

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