Estudo encontra vírus da febre amarela na urina de pacientes um mês após a infecção

A pesquisa foi realizada na USP e pode ajudar na detecção da doença

por Encontro Digital 08/02/2018 16:51

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Pixabay
Ao descobrir que vírus da febre amarela permanece na urina do paciente até um mês após a infecção, pesquisa da USP está ajudando nos diagnósticos da doença (foto: Pixabay)
Uma pesquisa feita no Brasil está chamando a atenção: o o vírus da febre amarela permanece presente na urina e no sêmen do paciente mesmo um mês após a contaminação. Conduzida pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), a descoberta foi publicada na revista científica Emerging Infectious Diseases, do Centro para Controle e Prevenção de Doenças, agência de proteção à saúde dos Estados Unidos. O estudo contou ainda com a colaboração dos institutos Butantan, de Infectologia Emílio Ribas e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Segundo o artigo, a detecção a partir da urina é uma nova ferramenta para os diagnósticos, reduzindo a quantidade de resultados falsos negativos. Para o coordenador do projeto, Paolo Zanotto, professor da USP, o método também é interessante por ser menos invasivo do que os exames de sangue, método tradicional de diagnóstico da doença.

Logo após a publicação do estudo, segundo Zanoto, a novidade começou a ser usada em algumas unidades de saúde de São Paulo. "Várias unidades aqui em São Paulo já estão usando a urina para a confirmação de infecção. É interessante porque, como você tem esse vírus na urina mais tempo, é uma outra ferramenta muito útil", enfatiza o especialista.

Surpresa

A nova possibilidade de diagnóstico é surpreendente, de acordo com Paolo Zanotto, uma vez que a febre amarela tem sido alvo de intensas pesquisas, há muito tempo. "O vírus da febre amarela é estudado há mais de 100 anos em detalhes e esse é um vaso que estava no meio da sala e a gente nunca tinha visto", ressalta o professor da USP.

Agora, a descoberta está servindo de base, segundo o pesquisador, para estudos mais aprofundados sobre o tema, na medida em que o país tenta lidar com um novo surto da doença. "Vários grupos de vigilância sanitária, os mesmos que estão envolvidos no atendimento a pacientes, incorporaram essa técnica. Então, vários grupos vão tabular resultados e, daqui a pouco, a gente começa a ver as publicações e a importância disso", comenta.

Zanotto ressalta que, apesar de não existirem evidências de contaminação em áreas urbanas, essa é uma possibilidade que deve ser monitorada. "O risco de um surto urbano existe, até porque ele já aconteceu aqui antes", afirma. Desde 1942, todos os casos de transmissão da doença ocorreram em áreas de mata.

(com Agência Brasil)

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