Arqueólogos descobrem a identidade da 'múmia que grita' no Egito

O homem mumificado descoberto em 1881 era nada menos que um dos filhos do faraó Ramsés III

por João Paulo Martins 01/03/2018 11:19

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Egyptian Ministry of Antiquities/Divulgação
Depois de ficar mais de 130 anos conhecido apenas como a "múmia que grita", agora, arqueólogos descobriram que o homem mumificado é Pentaur, filho do faraó Ramsés III (foto: Egyptian Ministry of Antiquities/Divulgação)
Descoberta em 1881 no Egito, a "múmia que grita", como ficou conhecida, devido à expressão similar a um "grito", que pode ser vista no corpo mumificado, finalmente foi identificada pelos arqueólogos. Uma equipe de cientistas liderados pelo egiptólogo Zahi Hawass, descobriu que o homem misterioso, na verdade, é Pentaur, filho do faraó Ramsés III (governou entre 1194 – 1163 a.C.), e que teria conspirado para roubar o trono do pai.

"Extraímos o DNA da múmia de Ramsés 3º, descoberta em 1886, e comparamos com o do 'homem desconhecido', e os resultados revelaram que o primeiro era pai do segundo. Isso faz parte de uma investigação que estamos fazendo há muitos anos, chamada Projeto de Múmias Egípcias, e que revelou não só a identidade, mas também as razões de seu estado", explica Hawass em entrevista para a agência britânica de notícias BBC.

No final de fevereiro, a "múmia que grita", ou o príncipe Pentaur, havia ganhado um espaço especial para sua exibição no famoso Museu Egípcio do Cairo, na capital do país.

Juntamente com a informação da identidade da música descoberta no final do século XIX, o grupo de arqueólogos, por meio da análise de inúmeros papiros existentes nos arquivos do Museu Egípcio de Turim, na Itália, descobriram a trama de traição e conspiração que teria sido arquitetada por Pentaur, há cerca de três mil anos, contra seu pai Ramsés III, pela tomada do império no Egito Antigo.

"Estava claro que Ramsés III havia sido vítima de um complô por parte seu filho Pentaur e sua esposa. Mas não que era essa a causa da morte do governante egípcio", comenta Zahi Hawass, que chegou a ser ministro de Antiguidades do Egito, durante o governo do ditador Hosni Mubarak, deposto em 2011.

Quando foi descoberta em 1881, a múmia com a expressão de grito logo intrigou os arqueólogos, por ter sido enterrada num local destinado à família real. Porém, ela estava usando vestes destinadas às pessoas consideradas "impuras" no Egito Antigo. "Os membros da realeza eram sepultados depois de um requintado processo de mumificação, e ficavam enrolados em uma delicada manta de linho. Mas a 'múmia que grita' foi enterrada sem esse processo e envolta em pele de ovelha", explica Hawass.

O Projeto de Múmias Egípcias então se dedicou ao escaneamento das múmias e descobriu quen Ramsés III teria sofrido um ataque com faca que destroçou sua coluna cervical. Por sua vez, a "múmia que grita" apresentava sinais de enforcamento. "Nos papiros que relatavam a conspiração, chamada 'conspiração do harém', se assinalava que Pentaur havia sido condenado à forca e foi surpreendido quando ia executar o complô", diz Zahi Hawass.

(com portal da BBC Brasil)

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