Segundo especialista, Brasil é o principal foco de crimes virtuais no mundo

Cibercrimes já causaram quase R$ 2 bilhões de prejuízos às empresas do planeta

por Da redação com assessorias 20/03/2018 11:50

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Segundo o especialista, 54% dos ataques cibernéticos relatados no Brasil são originários do próprio país (foto: Pixabay)
A empresa de segurança digital McAfee e o instituto CSIS divulgaram recentemente um estudo mostrando que o os crimes virtuais, ou cibercrimes, geram, anualmente, um prejuízo de quase US$ 600 bilhões (cerca de R$ 1,9 bi) para o mercado empresarial em todo o mundo todo. Na América Latina, a estimativa é de que as perdas com o cibercrime custem entre US$ 15 bi e US$ 30 bilhões. "Na realidade, esses números podem ser muito maiores, pois grande parte dos prejuízos causados por atacantes cibernéticos não são oficialmente registrados", comenta Jeferson Propheta, diretor geral da McAfee no Brasil.

O especialista alerta que, nos últimos anos, os crimes virtuais no Brasil cresceram muito e o país passou a ser considerado um dos novos centros de cibercrimes no planeta, juntamente com a Índia, Coreia do Norte e Vietnã. "O Brasil já é o alvo número um e a principal fonte de ataques na América Latina e, considerarmos o mundo todo, o país é a segunda principal fonte de ataques cibernéticos e o terceiro alvo mais afetado", diz Propheta.

Curiosamente, segundo o estudo, 54% dos ataques cibernéticos relatados no Brasil são originários do próprio país. "Ou seja, não apenas estamos sendo atacados amplamente, mas também estamos produzindo grande volume de malwares locais. O país tem um ecossistema de cibercrime um tanto diferente do resto do mundo. Existe uma comunidade bem desenvolvida de hackers brasileiros e cursos de implementação de malware são vendidos abertamente online. Por aqui, a modalidade mais comum é o crime financeiro, vitimando principalmente os bancos e as instituições financeiras", esclarece o diretor da McAfee.

Entre os fatores que fazem o país se destacar nesse "mercado", conforme o especialista, estão a rápida evolução das tecnologias que possibilitam sofisticação dos ataques e a monetização mais fácil; o número crescente de novos usuários on-line, sendo que na maioria das vezes este usuário tem pouco conhecimento sobre cibersegurança; e a facilidade de realizar ataques, já que uma pessoa mal intencionada consegue comprar 'kits' para a execução de malwares sem precisar ter conhecimento técnico para desenvolver um ataque.

"Além desses fatores, sem dúvida, a falta de leis rigorosas contra o cibercrime é uma das principais razões pelas quais esses números continuam crescendo tanto e causando tantos prejuízos. Mudar esse cenário não é tarefa fácil, é um trabalho árduo que precisa envolver pessoas, empresas e governo", comenta Jeferson Propheta.

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