Apesar de ter crescido número de médicos no Brasil, distribuição ainda é desigual

Levantamento mostra que 55% dos profissionais de Medicina brasileiros se concentram nas capitais

por Encontro Digital 20/03/2018 15:25

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(foto: Pixabay)
Em pouco menos de cinco décadas, o total de médicos existentes no Brasil aumentou 665%, enquanto a população brasileira cresceu, no mesmo período, 119%. Apesar do salto na quantidade de profissionais, a maioria deles permanece atuando em capitais e grandes centros urbanos, cenário que compromete o atendimento em municípios do interior do país.

Os dados fazem parte da pesquisa Demografia Médica 2018, feita pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) com o patrocínio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). O levantamento conta ainda com informações de bancos de dados da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Comissão Nacional de Residência Médica.

De acordo com o estudo, em janeiro deste ano, o Brasil registrou um total de 452.801 médicos – uma média de 2,18 profissionais para cada grupo de mil habitantes. O sudeste é a região brasileira com maior densidade médica (2,81 profissionais para cada grupo de mil habitantes), contra 1,16 no norte e 1,41 no nordeste.

Dados do levantamento demonstram que somente o estado de São Paulo concentra 28% do total de médicos no país. O Distrito Federal, por sua vez, é a unidade federativa com a média mais alta por habitante (4,35), seguido pelo Rio de Janeiro (3,55). Já o Maranhão mantém a menor densidade demográfica de médicos (0,87), seguido pelo Pará (0,97).

De acordo com o relatório, as capitais brasileiras chegam a registrar até quatro vezes mais médicos que municípios do interior. Juntas, as 27 capitais do país reúnem 23% da população brasileira e 55% desses profissionais. A razão nas capitais é de 5,07 médicos para cada grupo de mil habitantes, contra um índice de apenas 1,28 identificado no interior do país.

Para Lincoln Ferreira, presidente da Associação Médica Brasileira, o aumento do número de médicos e a má distribuição têm relação direta com o que a abertura de novas escolas e cursos de Medicina e com o que ele chama de política de transbordamento. "A vida profissional de um médico é longa. Formar médicos custa muito, mas formar mal custa muito mais caro", comenta Ferreira.

Já Carlos Vital, presidente do Conselho Federal de Medicina, avalia que uma boa distribuição de profissionais depende de estímulo, vontade política e investimento adequado. Ele volta a cobrar, entre outras medidas, a implementação de uma carreira de estado para médicos, além de formação adequada de profissionais. "Os desafios estão postos. O cuidado de um ser humano vai muito além da técnica", completa.

Mais mulheres e jovens

A pesquisa aponta que o crescimento no número de médicos vem acompanhado de uma mudança no perfil dos profissionais no que diz respeito à idade e ao gênero, com destaque para o que o relatório chama de feminização e juvenização da categoria.

Os dados mostram que a participação da mulher no contingente de médicos brasileiros é cada vez mais significativa. Atualmente, os homens ainda são maioria entre os profissionais, representando 54,4% do total, enquanto as mulheres somam 45,6%. O sexo feminino já predomina, por exemplo, entre médicos mais jovens, sendo 57,4% no grupo até 29 anos e 53,7% na faixa etária de 30 a 34 anos.

Outra constatação citada pelo levantamento é que a média de idade do conjunto de profissionais em atividade no Brasil tem caído ao longo dos anos. Atualmente, o índice é de 45,4 anos, resultado do aumento da entrada de novos médicos no mercado em razão da abertura de mais cursos de medicina. A média de idade entre os homens é de 47,6 anos e, entre as mulheres, de 42,8 anos.

(com Agência Brasil)

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