Polícia Federal volta a investigar a BRF, dona da Perdigão e da Sadia

A PF está de olho nas fraudes sobre contaminação pela bactéria samonela

por Encontro Digital 05/03/2018 13:22

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BRF/Sadia/Divulgação
(foto: BRF/Sadia/Divulgação)
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda, dia 5 de março, a terceira fase da operação Carne Fraca. A principal empresa que está sendo alvo da PF é a BRF, uma das maiores empresas de alimento do mundo, dona de marcas como Sadia, Perdigão e Qualy. O grupo é investigado por fraudar resultados de análises laboratoriais relacionados à contaminação pela bactérias Salmonella pullorum. Os problemas foram constatados entre 2012 e 2015. Conforme a PF, 11 pessoas tiveram mandado de prisão decretado, entre elas, os ex-executivos da BRF.

Segundo o delegado Maurício Boscardi Grillo, da Polícia Federal, as planilhas e laudos técnicos eram modificados e os resultados finais adulterados para, então, serem entregues ao Serviço de Inspeção Federal (SIF), para impedir que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) fiscalizasse a qualidade do processo industrial das plantas (frigrorífico ou abatedouro) da BRF. A presença e quantidade real da bactéria salmonela foram omitidas em alguns casos.

A ração oferecida ao frango antes do abate também era objeto de fraude, de acordo com o delegado. Ele conta que muitas provas surgiram após as fases anteriores da Carne Fraca e trocas de e-mails bastante consistentes entre executivos e funcionários do controle de qualidade comprovam o esquema de fraude, que era parte da "estratégia da empresa". "Existe um cronograma da operação que começa nas granjas dos cooperados da empresa, onde existe a contaminação. Passa-se, então, para as plantas frigoríficas e depois para a análise laboratorial", comenta Maurício Grillo.

Salmonela

Equipes do Ministério da Agricultura também estão trabalhando em conjunto com a PF. Em nota, o Mapa explica que, dentre as mais de duas mil variedades de salmonela, existem duas de preocupação para a saúde animal e duas de saúde pública. Por isso, as empresas devem adotar medidas específicas dentro das granjas e nos produtos positivos para a bactéria, para reduzir os riscos ao consumidor.

Segundo Alexandre Campos da Silva, coordenador-geral de Inspeção do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa, neste caso da operação, o risco à saúde pública não está "devidamente configurado", pois a salmonela, por si só, não caracteriza risco à saúde pública, pois depende da forma do consumo.

De acordo com o ministério, a presença da bactéria é comum, pois faz parte da flora intestinal das aves. No entanto, quando utilizados os procedimentos adequados de preparo e de consumo, minimizam-se os riscos, uma vez que ela é destruída em altas temperaturas.

O Mapa informa ainda que a fiscalização do ministério já havia identificado irregularidades nos procedimentos de certificação sanitária em algumas unidades frigoríficas. Por isso, as unidades foram proibidas de exportar a países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação da salmonela.

Três empresas estão sendo fiscalizadas pelo Mapa em parceria com a PF em busca de provas. Outras sete já foram investigadas.

A Agência Brasil entrou em contato com a BRF e não recebeu o posicionamento da empresa, até o fechamento desta matéria.

(com Agência Brasil)

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