Estudo diz que cigarro eletrônico pode ser mais tóxico que o tabaco comum

Foram encontradas substâncias tóxicas nos líquidos usados nos 'e-cigarettes'

por Correio Braziliense 28/03/2018 16:44

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
(foto: Pixabay)
O cigarro eletrônico (e-cigarettes, em inglês) sempre aparece na mídia cercado por dúvidas, especialmente em relação ao suposto benefício de ajudar quem quer parar de fumar, ou mesmo por ser "menos perigoso" para o organismo, como defendem os defensores desse acessório. Porém, pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriram que os líquidos usados para dar sabor e gerar o vapor que simula a fumaça teriam substâncias tóxicas, algumas mais perigosas que outras. Dependendo do chamado "e-liquid", a composição pode ser ainda mais prejudicial que o cigarro à base de tabaco, alerta o artigo científico, publicado na revista PLoS Biology.

O pesquisador Robert Tarran, principal autor do estudo, esclarece que os líquidos usados nos cigarros eletrônicos são muito variados e não seguem uma padronização. "Em alguns produtos, os componentes eram mais tóxicos que a nicotina sozinha. Os ingredientes base dos 'e-liquid' são glicerina vegetal e propilenoglicol, substância também de origem vegetal", comenta o especialista.

Segundo o cientista, a Food and Drug Administration (FDA), órgão de vigilância sanitária dos Estados Unidos, começou a regulamentar esse produto, o que teria levado à popularização do cigarro eletrônico. O mais preocupante, diz Robert Tarran, é que cresce a adesão de adolescentes e jovens adultos. "Pesquisas recentes indicam que de 15% a 25% dos estudantes do ensino médio já usaram 'e-cigarettes'. Outras pesquisas mostram que de 10% a 15% dos adultos americanos utilizam esses produtos. São números que aumentam a cada ano e, todavia, temos poucos estudos sobre os efeitos na saúde", afirma o pesquisador. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não liberou a venda de cigarro eletrônico, mas o produto é facilmente encontrado na internet e em algumas tabacarias.

Para avaliar os riscos dos líquidos usados no acessório destinado a fumantes, a equipe da Universidade da Carolina do Norte desenvolveu um sistema que detecta rapidamente o teor de toxidade das substâncias. Ele usa grandes placas de plástico que contêm centenas de recortes minúsculos, chamados de poços pelos pesquisadores. Neles, células humanas de rápido crescimento são expostas às diferentes substâncias. Quanto mais reduzido for o desenvolvimento celular, maior a toxicidade.

"Os principais ingredientes dos 'e-líquidos' (glicerina vegetal e propilenoglicol) são considerados atóxicos quando ministrados oralmente, mas, obviamente, os vapores do cigarro eletrônico são inalados. Nós constatamos que, mesmo na ausência de nicotina ou de aromatizantes, pequenas doses desses compostos orgânicos reduzem significativamente o crescimento das células humanas", conta Flori Sassano, coautor do estudo americano.

Além dos ingredientes-base, os produtos usados no "e-cigarette" incluem pequenas quantidades de nicotina e compostos que conferem sabor. No estudo, os cientistas avaliaram amostras de 148 líquidos. No geral, quanto mais ingredientes, maior a toxicidade das substâncias testadas. Os mais perigosos identificados na avaliação foram dois sabores artificiais: vanilina (baunilha) e cinamaldeído (canela), muito usados nos cigarros eletrônicos.

Últimas notícias

Comentários