Cólica menstrual pode ser tão dolorosa quanto um infarto, diz pesquisador

Entenda porque é tão difícil tratar a dor da dismenorreia, que afeta grande parte das mulheres

por João Paulo Martins 05/03/2018 10:19

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Especialistas falam sobre a temida cólica menstrual, que ainda permanece como um problema feminino sem tratamento adequado (foto: Pixabay)
A maioria das mulheres sabe que o período menstrual costuma trazer inúmeros problemas para o corpo, especialmente as temidas cólicas. Cientificamente chamada de dismenorreia, essa dor pode ser quase tão ruim quanto a de um ataque cardíaco. Esta declaração foi dada pelo professor John Guillebaud, da Universidade College de Londres, da Inglaterra, em entrevista para a revista digital americana Quartz.

O especialista esclarece que existem dois motivos essenciais para o surgimento da cólica menstrual: a dismenorreia e a endometriose. A primeira é a causa mais frequente das dores nas mulheres, mas ainda não possui uma explicação científica. Contudo, a inflamação do endométrio pode levar a essa sensação de dor, especialmente em pacientes que sofrem de endometriose não diagnosticada – o problema é caracterizado pelo crescimento irregular do tecido que cobre o útero.

Guillebaud faz parte do grupo de cientistas que acreditam que a dor menstrual na dismenorreia é causada especialmente pelas cólicas. Já para o pesquisador Frank Tu, do Sistema de Saúde da Universidade NorthShore, de Illinois, nos Estados Unidos, a condição diz respeito a uma combinação de processos sensoriais, de inflamação intrauterina e de problemas de fluxo sanguíneo dentro do útero.

Em relação aos tratamentos disponíveis, a revista Quartz lembra que são poucas as opções de remédios. Normalmente, um analgésico, como o ibuprofeno, costuma ser indicado, tanto para a dismenorreia quanto para a endometriose. Além disso, o uso regular de pílulas anticoncepcionais, que reduzem o fluxo sanguíneo na menstruação, também ajudam a minimizar os sintomas.

Especiaficamente em relação às cólicas decorrentes da endometriose, John Guillebaud esclarece à publicação online que a opção mais usada pelas pacientes é a histerectomia, ou seja, na remoção do útero. "É um preço muito alto para muitas mulheres. Mas, está lá como um último recurso e algumas pessoas realmente precisam fazer isso", comenta o médico. O problema é que a histerectomia não significa a cura completa, e a dor pode persistir.

Viagra

Curiosamente, uma pesquisa liderada por Richard Legro, da Faculdade de Medicina da Universidade Penn State, dos EUA, descobriu que a sildenafila, principal componente do Viagra, usado por homens que sofrem de impotência sexual, pode ser uma aliada no tratamento da dismenorreia. "Nós publicamos os resultados no importante periódico científico Obstetrics & Gynecology e percebemos que demos uma grande contribuição para o tratamento que as mulheres normais podem ter acesso", diz Legro à revista Quartz.

Antes de indicar o Viagra como alívio para as cólicas menstruais, o pesquisador americano alerta que a sildenafila ainda precisa passar por outras análises. Segundo ele, é preciso entender o uso do medicamento no tratamento da dismenorreia, como, por exemplo, a dose certa e a forma de administração (intravaginal ou oral). Além disso, o especialista lembra que é necessário saber como as pacientes reagirão ao uso consecutivo do remédio.

Infelizmente, até agora, ninguém aceitou patrocinar esses novos estudos. "Entramos com três ou quatro pedidos de apoio, mas todos rejeitados. Acho que a grande questão é que ninguém pensa na cólica menstrual como um problema de saúde pública", reclama Richard Legro à publicação online.

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