Deputados mineiros são contra privatização da Furnas Centrais Elétricas

A empresa estatal é vinculada à Eletrobras, que pode ser vendida pelo governo federal

por Encontro Digital 14/03/2018 09:50

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Furnas/Divulgação
(foto: Furnas/Divulgação)
Deputados estaduais, prefeitos e lideranças sindicais demonstraram insatisfação com a intenção do governo federal de vender a Furnas Centrais Elétricas, empresa subsidiária da Eletrobras, que tem forte ligação com Minas Gerais. O posicionamento contrário foi demonstrado em audiência pública realizada pela Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na segunda, dia 12 de março.

Durante a reunião, foi lançada a Frente Parlamentar contra a Privatização de Furnas, idealizada pelo deputado Emidinho Madeira (PSB). A desestatização da Eletrobras está prevista no Projeto de Lei 9.463, de 2018, que está em tramitação na Câmara dos Deputados.

O parlamentar e seus colegas João Vítor Xavier (PSDB), presidente da comissão, Antonio Carlos Arantes (PSDB), Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), Durval Ângelo (PT), Rogério Correia (PT) e Cássio Soares (PSD), de forma unânime e representando um movimento suprapartidário no parlamento mineiro, condenaram a possibilidade de venda da empresa de energia elétrica.

Em linhas gerais, os deputados usaram como argumento a necessidade de manter sob o controle do estado a gestão de ativos relacionados à soberania nacional, o custo financeiro, ambiental e social envolvido na construção de Furnas, assim como prováveis consequências da medida, como o aumento da tarifa de energia.

"Para a construção de Furnas, muitas terras foram inundadas, famílias foram divididas. Muito investimento foi feito para vendermos a empresa a preço de banana", critica o deputado Emidinho Madeira, ao se referir à expectativa do governo de arrecadar cerca de R$ 12 bilhões com a privatização, enquanto estima-se que tenham sido utilizados R$ 400 bilhões para a estruturação da Eletrobras.

Formada por várias outras empresas, a Eletrobras controla 233 usinas e possui 61 mil km de linhas de transmissão, que atuam em toda a cadeia produtiva do setor. Furnas, especificamente, está presente em 15 estados e no Distrito Federal. Integram seu parque gerador 18 usinas hidrelétricas, duas termoelétricas e três parques eólicos. Por seus mais de 23 mil km de linhas de transmissão, passam 40% da energia nacional.

Estatais chinesas

Os participantes da audiência compartilharam o temor de que o setor energético vá parar nas mãos de companhias chinesas, cogitadas como as principais interessadas no negócio e vistas como braços do governo do país asiático. Dessa forma, a China poderia intervir diretamente em um dos principais setores estratégicos do Brasil.

"A prova do valor de Furnas é vermos estatais estrangeiras cobiçando esse patrimônio do qual queremos nos desfazer", comenta o prefeito de Capitólio, cidade do sul de Minas, José Eduardo Vallory. "Como será o olhar dessas empresas para a piscicultura, o desenvolvimento do turismo, os interesses dos cidadãos?", acrescenta o gestor, que também é presidente da Associação dos Municípios do Lago de Furnas.

"Vamos deixar o governo chinês tomar conta do nosso patrimônio?", questiona o deputado federal Leonardo Quintão. Para Eduardo Annunciato, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Água, Energia e Meio Ambiente, não está em jogo apenas a venda de energia, mas de todos os componentes do sistema, que passariam a ser importados da China, transferindo empregos para lá.

(com portal da ALMG)

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