Especialista fala sobre como lidar com notícias falsas de saúde

Cada vez mais boatos surgem nas redes sociais, especialmente em relação às vacinas

por Encontro Digital 21/03/2018 08:14

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Segundo o especialista, as instituições devem estar preparadas para responder e fornecer informações adequadas para o público, para evitar que boatos se espalhem (foto: Pixabay)
Com certeza você já deve ter se deparado com alguma mensagem polêmica nas redes sociais relacionada à área de saúde. Às vezes, por inocência ou falta de conhecimento, muitos contribuem para o compartilhamento desse tipo de conteúdo, o que dificulta o trabalho dos profissionais da área da saúde. Desde que um novo surto de febre amarela atingiu o Brasil, no primeiro semestre de 2017, pessoas de diversas localidades se dirigiram às unidades de saúde para se vacinar contra a doença. No entanto, diversas notícias de origem duvidosa, divulgadas principalmente no WhatsApp, geraram desconfiança e confundiram milhares de brasileiros.

Segundo Igor Sacramento, pesquisador do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os boatos na área da saúde, principalmente relacionados às vacinações, são antigos no país. "Os boatos com relação à vacina, eles fazem parte da história da imunização no Brasil", comenta o especialista. Ele cita os casos de vacinação contra a gripe para idosos, em 2000, e, mais recentemente, contra contra HPV, em 2014, e contra H1N1, em 2016, como exemplos de campanhas que também sofreram com as notícias falsas. "Essa coisa de que o governo quer matar as pessoas para diminuir a população brasileira. Isso sempre aparece", afirma Sacramento.

A propagação de conteúdos enganosos avançou de forma significativa com a popularização de dispositivos eletrônicos e da internet, já que facilitou o acesso e aumentou o alcance dos conteúdos. "Essa é a grande transformação contemporânea da circulação de boatos. Antes, os boatos ocorriam, existiam, mas eram mais em comentários com a família, com amigos. Agora, eles têm uma outra dimensão por causa da internet", afirma o pesquisador da Ficoruz. Ele lembra que a tendência é que isso aumente ainda mais ao longo do tempo. "A tendência é aumentar. Isso não cabe a nós o controle, não tem como. O que temos que fazer é entender a lógica. Vivemos num interativo comunicacional em que todo mundo está buscando estar conectado nas redes sociais, no Whatsapp", completa.

Para Igor Sacramento, outros fatores contribuem para a presença e propagação dos boatos, como a própria cultura do povo brasileiro, que gosta de se comunicar, além da falta de credibilidade das instituições. "Nós temos uma cultura baseada na oralidade, na persualidade, na intimidade. E, por outro lado, existe uma crise nas instituições e no sistema de confiança nas instituições".

Para resolver esse problema, o especialista afirma que as instituições devem criar estratégias eficazes de comunicação com o público, principalmente por meio das redes sociais. "É necessário que se criem novas estratégias, que possam concorrer com esses boatos e utilizar cada vez mais as redes sociais e, particularmente, o Whatsapp", diz. De acordo com ele, os órgãos devem capacitar seus profissionais da área da comunicação para que possam estabelecer um diálogo aberto e que transmita confiança para o público. "Eu acho que, para amenizar isso, são necessários dois movimentos: o primeiro é o das redes sociais online, tentar entender; e nas instituições, na comunicação, ainda estamos acostumados com os paradigmas da comunicação de massa, então, ainda fazemos comunicação pensando nos veículos de comunicação de massa. Acho que há novidades e especificidades que são próprias desses outros espaços de produção de comunicação", comenta o pesquisador.

Sacramento defende que a principal forma de concorrer com os boatos é produzir conteúdos informativos que atraiam a atenção das pessoas. "Essa informação tem que ser qualificada. Então, nós, do ponto de vista de instituições de saúde, também temos que produzir informações para que as pessoas possam, ao pesquisar, nos achar também". Outra sugestão que ele dá diz respeito à necessidade de se manter uma comunicação interna mais eficiente nos órgãos públicos e nas instituições subordinadas, que possam interagir e responder o público, principalmente via redes sociais, que é o canal de comunicação mais utilizado atualmente. "A pessoa não se sente participante. Nós vivemos em uma sociedade na qual as pessoas querem participar. Elas querem interagir. Tem que ser feito um trabalho para responder, mas não só com respostas prontas".

(com Agência Rádio Mais)

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