Especialistas reclamam do mau uso da água na região metropolitana de Belo Horizonte

Ambientalistas chamam a atenção para a necessidade de conservação da bacia do Rio das Velhas

por Encontro Digital 27/03/2018 13:26

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(foto: Pixabay)
Ambientalistas que participaram de audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), na sexta, dia 23 de março, alertam que 100% dos rios e córregos de Belo Horizonte estão contaminados e não têm condições de fornecer água para a população. Atualmente, mais de 70% da água que abastece a capital mineira é retirada do Rio das Velhas, em especial, da estação de Bela Fama, instalada pela Copasa no município de Nova Lima (MG). No entanto, as áreas de recarga, que alimentam o Rio das Velhas, estão no quadrilátero ferrífero, onde a exploração de minério põe em risco a sustentabilidade dos recursos hídricos.

Representante do Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela, o geólogo e pesquisador Paulo Rodrigues apresentou um breve mapeamento dos recursos hídricos ainda disponíveis no estado de Minas Gerais e que abastecem BH e diversos municípios da região metropolitana. Segundo o ativista, a Copasa atua com quatro sistemas integrados, sendo os dois principais o Morro Redondo e o Rio das Velha – este responsável pela oferta de 70,6% do consumo de água na capital mineira.

Uma sobreposição das formações geológicas e a divisão política dos municípios revela que o Rio das Velhas se forma exatamente no colar metropolitano, no centro do quadrilátero ferrífero, próximo às cidades de Outro Preto, Itabirito e Rio Acima. Destacando a mineração depredatória na região, o pesquisador alerta para a urgência em se rever as práticas de exploração mineral no Alto Rio das Velhas para garantir a preservação, a médio prazo, dos mananciais hídricos que abastecem toda a região na descida do rio. Responsável pelo abastecimento de água de cerca de dois milhões de pessoas em BH e na região metropolitana, o Sistema Rio das Velhas é alimentado por inúmeros afluentes, impactados diretamente pela mineração. "A água está no minério. Está no topo do morro, o que facilita a distribuição. Mas é preciso escolher. Ou a gente minera, ou a gente preserva os nossos mananciais", comenta Paulo Rodrigues.

O ambientalista alerta ainda para a necessidade de se rever, inclusive, a legislação referente ao tema, destacando que, apesar do esforço de preservação imposto pela criação das Áreas de Preservação Ambiental (APPs), há o entendimento legal de que a atividade de mineração é uma prática de utilidade pública, o que autorizaria a exploração, mesmo nesses locais de conservação.

Para o representante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Marcos Vinícius Polignano, não é possível que Belo Horizonte cobre dos demais municípios (na região do Alto Rio das Velhas) enquanto estabelece práticas avessas a essas demandas dentro de seu território. "BH tem que fazer o dever de casa também, não canalizar os córregos e recuperar as nascentes", critica o ambientalista.

(com Superintendência de Comunicação Institucional da CMBH)

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