Governo quer obrigar a vacinação dos venezuelanos que chegam ao Brasil

Doença já estava erradicada no país e causou um surto em Pacaraima (RR)

por Encontro Digital 21/03/2018 16:42

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Flickr/André Luiz D. Takahashi/Creative Commons/Reprodução
(foto: Flickr/André Luiz D. Takahashi/Creative Commons/Reprodução)
O governo brasileiro está pensando na possibilidade de obrigar os venezuelanos que estão imigrando para o Brasil, na condição de refugiados, principalmente pela fronteira com Roraima, a serem vacinados contra sarampo assim que entrarem no país.

A informação foi dada pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, nesta quarta-feira, dia 21 de março, ao sair de uma reunião em que estiveram presentes o deputado federal Hiran Gonçalves (PP-RR), presidente da Comissão de Seguridade Social da Câmara; Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS); e outros deputados.

Segundo o ministro, apesar de não saber ainda de que maneira isso será feito, a ideia do ministério é modificar o compromisso internacional feito pelo Brasil de não impor vacinação a nenhum estrangeiro que chegue ao país. Barros aproveitou a visita do presidente da OMS para tratar do assunto.

"Eu pedi a ele que nós possamos alterar um acordo internacional que temos com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que proíbe impor a vacina a qualquer pessoa que transite de um país para o outro. Isso é facultativo. Nós temos um posto de vacinação na divisa de Pacaraima [RR}, esse posto está com as vacinas disponíveis, mas as pessoas que não quiserem ser vacinadas nós não podemos impedi-las", diz o ministro.

O deputado Hiran Gonçalves é médico e tem acompanhado de perto a situação do surto de sarampo em Roraima, doença que já estava erradicada no Brasil e que foi trazida pelos venezuelanos refugiados. Segundo ele, os imigrantes não têm recusado o recebimento da vacina.

Campanha

"Não há resistência dos venezuelanos em relação à imunização. A campanha está sendo muito divulgada, a importância de se vacinar é muito grande e os venezuelanos que não têm condições de se vacinar no seu país consideram isso uma atenção do governo do Brasil muito importante, de forma que eu não tenho sentido, e eu tenho visitado os locais de vacinação no nosso estado, não tenho sentido nenhuma resistência dos venezuelanos a se vacinarem", comenta Ricardo Barros.

Uma campanha de vacinação lançada pelo governo brasileiro em 10 de março pretende imunizar 400 mil pessoas contra sarampo em 15 municípios de Roraima até 10 de abril.

As estimativas mais recentes apontam que mais de 40 mil venezuelanos já atravessaram a fronteira, fugindo da crise desencadeada por fatores como queda do preço do petróleo, alta da inflação e escassez de alimentos.

(com Agência Câmara Notícias)

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